segunda-feira, 5 de julho de 2010

Análise da Ética e da Justica segundo Kant

Kant se diferencia de Aristóteles e Tomas de Aquino ao conceber uma ética que erige da autonomia da vontade, entenda-se a liberdade, como base inabalável da moralidade. É a vontade que se auto-legisla e confere a si própria a norma do agir moral. A razão é a vontade, é a prática do agir moral. Desta forma pela razão da vontade o homem torna-se senhor de si.

A ética é colocada como norma da moralidade; uma norma imperativa e categórica que vai determinar o agir moral do homem.

Kant tem como objetivo desvencilhar a razão da irracionalidade e trazê-la para um lugar de destaque em que qualquer idéia de justiça e ética passa por ela.

Isso é preciso por que o homem possui em sua raiz um mal (aquele em que sendo o homem finito, esta sujeito as inclinações de sua natureza limitada). Por isso a norma então viria como um imperativo moral para cercar as resistências humanas. A lei seria um dever moral do homem justo.

A questão é que ao contrário de Aristóteles que reconcilia a moral com a sensibilidade, Kant circunscreve a moral ao reino da prática em que a sensibilidade nada tem a ver com as inclinações empíricas. Tanto é que o reino da sensibilidade nunca poderá fornecer um princípio moral universalmente válido.

Para Kant então só a boa vontade ligada a razão é que pode ser considerado algo bom. Kant inclui como imperativo o dever moral, pois, não sendo o homem espontaneamente moral é preciso que haja um comando, e a este se dá o nome de imperativo categórico; uma imposição da vontade de agir conforme o dever.

Para ele, o homem deve agir unicamente segundo a “máxima que te leve a querer ao mesmo tempo que ela se torne lei universal”. Esta máxima por sua vez seriam os princípios práticos, subjetivos de cada sujeito. A partir da ação, ou seja, da expressão de vontade, esta adquire um caráter objetivo, tornando-se uma lei prática.

Moralidade para Kant é a) a vontade livre que se auto-determina conforme as regras que a máxima dá b) a vontade livre só é possível conforme as exigências do imperativo categórico e este por sua vez é quem controla a moralidade das ações objetivas.

A moralidade então é a vontade livre de ser feliz. Dessa forma busca alcançar uma máxima que possa servir de lei universal ou princípio de determinação moral do homem. A única forma para isso seria a atuação legislativa das máximas. A vontade teria em sua forma mais pura a lei, uma vontade subjetiva, expressa em norma, perfeita e que terá seu cumprimento objetivo.

A ética por sua vez, em Kant, tem uma idéia de obediência à lei. O exercício da liberdade é possível desde que se respeite a liberdade de outrem.

Sabe-se também que Kant, igualmente a Aristóteles, ligou o homem a política. Sua diferenciação está na não exigência de virtudes subjetivas para alcançar a justiça, apenas no cumprimento do que a lei delimita como sendo exercício externo de liberdade. Dessa forma aborda a vida política pelo direito, normativamente.

Tendo em vista que todos os homens são livres na mesma profundidade, o grande problema está na administração legal da liberdade humana.

Assim, seria dever dos homens, respeitar a ordem dos princípios dos direitos humanos, aqueles que já são inerentes a ele, e que a ordem legal tem apenas o dever de reconhecê-los e ampará-los com títulos jurídicos.

Dessa forma o homem levaria o Direito ao estado racional do ser, em que as condições que o arbítrio de um, pode unir-se ao arbítrio de outro segundo uma lei universal que é a liberdade, ou seja, a liberdade de um vai até aquele em que a liberdade de outro é preciso coexistir.

 
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 Kant consegue redefinir noções de ética e justiça sendo antropocêntrico. Não busca na transcendência explicações para a realidade humana nem culpa ao homem a razão de nossos problemas, muito pelo contrário, tenda desenvolver através da racionalidade própria e imanente, uma busca por uma ética e justiça social. Seu grande problema é a falta de reconciliação entre a razão e a liberdade do homem, com a sua transcendência. Ao invocar a razão para o homem superior e impor a ele obediência a vontade livre racional e normativa, desconecta este de seu corpo, de sua ligação com aquilo que está fora de sua mera condição. Ao fazer isso, defendendo o normativismo e o enrijecimento do direito natural, Kant imutabiliza as condições inatas do homem, contribuindo para a existência hoje de uma concepção de diretos humanos que não evolui na mesma rapidez que a história do homem, provocando grande disparidade entre o que a lei protege e o que de fato acontece.

Análise da Ética e da Justica segundo Aristóteles e Tomas de Aquino

 Teoria da Ética e Justiça

Aristóteles
Principio basilar para desenvolver sua teoria da ética e da justiça, as quatro causas de Aristóteles, cita-se – material, formal, eficiente e final vão explicar a origem e a plenitude dos seres naturais.
Sendo o homem ser natural, move-se em direção a sua plenitude. Para alcançar este fim, é preciso a prática de virtudes consigo e com sua comunidade política.
Só assim o homem poderá desenvolver a sua felicidade. Esta se daria pelo equilíbrio de suas paixões através da prática das virtudes e a participação política pela prática da justiça.
Todas as coisas segundo Aristóteles, tenderiam para o bem mesmo que haja na natureza humana um conflito para subordinar a forma à matéria e a razão as paixões.
Concebe superioridade a alma e a sua parte mais elevada – o intelecto, que briga para impor a racionalidade em detrimento das paixões, caminhando o homem para o bem, o justo. Para ele o que importa de fato, ao fazer essas afirmações é a felicidade da alma humana, entendendo a felicidade como uma atividade da alma.
Agir justo para ele seria “fazer o que se deve, quando se deve, nas devidas circunstâncias, em relação às pessoas às quais se deve para o fim devido e como é devido”. A justiça então modera a paixão visando a não lesão do próximo. Tudo isto seria um exercício do homem que ao manter suas ações equilibradas pela virtude, eleva a paixão a se subordinar a racionalidade das coisas.
Quando tudo isto é alcançado de forma inter-relacionada com a comunidade, o homem vive com justiça e feliz. Afinal, o homem é um “politikon zoon” que só atinge sua plena realização em comunidade. O homem então deveria ir à busca de sua formação de cidadão da “polis”, pois viver nela consiste em viver bem e agir bem, vivendo segundo as suas virtudes morais.
A comunidade por sua vez, só teria razão de existir se o homem, através dela, buscasse a realização do bem e não apenas da aglomeração em sociedade, pois em sociedade os animais vivem e não deixam de serem animais. Só os homens são capazes de exprimir sentimentos do bem e do mal, do justo e do injusto. Sentimentos estes que o levam a buscar o senso de justiça na comunidade.
Justiça esta que nada mais seria do que a ação virtuosa do tratamento igual, um bem para os outros, oneroso a parte concedente mas de tamanho inigualável para a busca do seu estado de transcendência.

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Percebemos coerência na dissociação que Aristóteles faz do animal com o homem. O primeiro consegue se estabelecer em sociedade, mas não consegue exprimir e diferenciar sentimentos como reações de bem e mal, justo e injusto. O segundo, além de viver em sociedade para o uso de suas virtudes da melhor forma, busca usá-las para caminhar para algo maior.
E o que seria usar a virtude com coerência na sociedade, se não praticar o bem de forma ética e justa? Para nós, o pensamento Aristotélico é feliz ao selecionar a ética como a única capaz de “doutrinar” os indivíduos da polis, para viver em sociedade, de forma justa, caminhando para sua felicidade e transcendência

Tomas de Aquino
São Tomás, como um típico cristão, absorve a idéia de ética e justiça de Aristóteles para fazê-las funcionarem como uma ponte entre o homem e sua transcendência, entre o mundo terrestre e o celestial.
Assim, o homem obtém um fim supremo, através da prática das virtudes e convivência política, em que são levadas em consideração as três virtudes fundamentais,      a saber – fé, esperança e amor.
A fé no criador de todas as coisas, tangíveis e intangíveis, no supremo, no amor ao semelhante, sendo este amor a regra de outro da ética, e a esperança na transcendência.
Claro que as coisas não são tão certas assim, os que esperam a cidade celeste para Aquino, precisam buscar aqui no mundo terrestre a transcendência. Infelizmente, uma tarefa nada fácil, tendo em vista o pecado original que feriu o homem. Dessa forma, as virtudes morais seriam a base de convivência para todos os crentes e não crentes, a busca na cidade terrestre por uma transcendência feliz, através de suas práticas aqui e agora.
A justiça então seria como uma ponte que une a comunidade de fé e a sociedade política, sendo ponto central de toda a ética.
Por fim, Tomas de Aquino baseia a formação de sua ética e justiça no Direito Natural, uma série de virtudes naturais que se inclinam ao homem. Estas por sua vez são mutáveis e acompanham o desenrolar histórico da humanidade. Isso não significa dizer que se adaptam ao calor das paixões humanas. A idéia de procurar o bem e evitar o mal, derivam sempre todas as outras concepções que se adaptam no transcorrer histórico. Portanto, para seguir o transcurso das virtudes naturais do homem, é preciso caminhar com justiça, esta por sua vez é a virtude moral de praticar ações conforme o direito.

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Tomas é feliz em suas concepções, principalmente quando vem à tona, a mutabilidade do direito natural. Seria impossível adaptarmos as necessidades de respostas que o direito natural precisa dar ao homem contemporâneo sem esta clara definição. Um direito natural imutável e dogmático levaria apenas ao fortalecimento do positivismo e o enrijecimento das condições de luta as injustiças protagonizadas por homens em desfavor da natureza e de sua própria humanidade, como de fato ocorreu nos últimos tempos.
Infelizmente percebemos certa necessidade em Aquino de justificar a severa obediência à lei. Analisando o contexto político-histórico que vivia, é de se notar que fazia isso apenas para defender o dogmatismo da igreja e de suas leis, bem como o apogeu do absolutismo na Europa. Talvez não intencionalmente, mas ao trazer em voga que a justiça legal exige à obediência a lei, o autor deslegitima qualquer insurgência social para com as instituições existentes, o que Habermas, por exemplo, vai desconsiderar, ao defender a desobediência civil quando as leis são ilegítimas e ineficazes sem, no entanto, este ato deixar de ser justo. Pelo contrário, fazer isso colabora para a justiça real que a lei não conseguiu realizar em virtude da incapacidade e falibilidade do legislador e do próprio homem.

domingo, 4 de julho de 2010

fórmulas ou teoremas: não que pena...

Há algum tempo que já não há mais liberdade.
O blog é de domínio público e não mais escrevo o que sinto, apenas o que posso.
Pena, num momento como hoje, bom ser eu por completo e ter alguém para me ler ao menos.
Já que de nada adiantará, prefiro falar do que já não é mais possível. Dos acontecimentos perdidos, das palavras ditas, do que não pode ser vivido, da solidão e por que não?
Passamos anos escolhendo, planejando, pensando. Tudo muito fácil se nossa vida fosse como uma receita de bolo ou mera inequação matemática onde os números pela lógica, possuem uma solução plausível.
Não temos fórmulas, teoremas. Não temos nem pena quem dera a chance de fazer cena.
Já que não é possível escrever o que sinto - me aproximaria do ridículo ou mesmo da ignorância, é melhor acabar, assim, com tudo isso e seguir sem querer levar prejuízo.
É o mínimo...

Bom seria viver o não vivido, sentir o não sentido, falar só o que é preciso, ter um alguém e começar a nascer.
Pedro Andrade




sábado, 3 de julho de 2010

Só confabulação

Proponho-me a desconstruir, o fato, o ato, a ação.
Proponho-me ao tato, ao fato, ser um peão.
Proponho-me a luta, ao canto, virai-vos tartaruga!

Não proponho nada, que nada? Um fato, um ato, um tato?
Não, eis a questão.
Para tudo isso perpasso, distraio, viajo.
Tudo por um ato, um tato, um fato, uma vida de ilusão?

Não. 
E então?
Sobra-me a ação, um peão, uma visão.
Lutar contra a alienação? e por que não?

Ora, por que a vida não se escolhe, é vida, é tradição, é ação.
Então por que não tentar com a mão? Ação, claro: visão.
Tudo procrastinação. Mas e então?
Espero viver na frente, olhar pro alto, lutar, morrer, não somos filhos da revolução?
Ah, mas assim só nos resta uma opção: a transformação!

Proponho-me a tudo então, o fato, o ato e a ação.
O que seria tudo isso sem o tato, o ato seria em vão.
Assim então prefiro viver da teorização à desilusão.
Da criação  e da inovação?
Sim. Viver pra que sem a ilusão?

Prefiro ser idealista, projetista, calculista, marxista,
bom será o dia da revolução!


Pedro Andrade


domingo, 27 de junho de 2010

O projeto de País do meu partido

A defesa do PT se torna necessária, num momento em que fazemos um retrospecto do passado e nos perguntamos se este é o mesmo partido de 30 anos atrás.
Sabemos que muitos dos pensamentos e conceitos evoluíram, foram transpassados, mas o sonho petista, jamais se deteriorou.
Ao defender o Governo Lula e um possível governo Dilma, me sinto muito seguro, pois, fora este projeto de governo que mudou a face do País.
Falar de números hoje, se torna um tanto quanto desnecessário, tendo em vista que todos sabemos que entre outras coisas, este foi o governo que mais criou Universidades Federais e Centros/Institutos Tecnológicos em toda a História do País, que modernizou e aumentou o número de estradas asfaltadas, que distribuiu riqueza e repartiu o “bolo”, como nunca antes, que tirou milhões de pessoas da pobreza, que mais ascendeu classes sociais, que mais gerou empregos (12 milhões até agora), que estabilizou a economia, para que pudesse crescer seguramente, etc.
A grande questão é que por ter sido um governo contraditório, foi muito criticada por certa esquerda do País. Em nenhum momento, os que criticaram, conseguiram fazer um projeto igual para mudar a cara do Brasil, o que se fala é de um socialismo abrupto, que não se dá em etapas e que está fadado ao fracasso, haja vista que um socialismo num país com milhões de pobres, desescolarizados, latifundiários, e que possui em sua massa uma total desmobilização e preocupação com o coletivo, falar em revolução sem etapas é no mínimo impossível.
O Brasileiro além de em sua essência ser consumista, é um povo que por décadas viu a precariedade de condições de perto. Falar em um sistema que iria repartir aquilo que não se tem, além de ser errado no pensamento de muitos brasileiros, provocaria em nossa mídia e elite conservadora, reacionária, corrupta e bandida uma sede por levar de imediato as massas para o clamor por um impeachment ou quem sabe uma guerra civil.

A REVOLUÇÃO NÃO PODE SER FEITA SEM AS ETAPAS.
O socialismo, acima de tudo, tem que ser conquistado pela consciência do povo. De maneira abrupta, não conseguiríamos apoio das massas e por conseqüente, estaríamos fadados ao fracasso e a perda de um momento histórico na dialética dos homens de fazer um socialismo que dê certo.
Quando o Governo Petista se alia a burguesia pútrida e fétida do nosso País é por que sabe que eles são os que possuem o poder econômico de fato, e para se fazer as reformas estruturais que os trabalhadores e o povo tanto necessitam, é preciso fazer concessões. Lênin, já defendia isso em seus manuscritos, ao criticar os esquerdistas que achavam que os socialistas deveriam ser “puros”, não se misturar, não disputar o poder com os burgueses, e não mostrar seu pensamento socialista na estrutura política dos burgueses.
Além de um erro, mostra quão impossível é fazer a revolução sem ter condições de corroer a estrutura falsa e antidemocrática burguesa, sem destruir seus pilares para quando cair, não conseguir se reestruturar.
Infelizmente, num país que fala de estabilidade da democracia burguesa há apenas duas décadas, que reproduz a idéia de estado social só a partir de 1988 com nossa nova carta política e que só está gozando de um avanço econômico para todos brasileiros nestes últimos 5 anos, falar de uma corrosão da estrutura burguesa demanda muito mais tempo do que gostaríamos.
Dessa forma, defender o progresso muitas vezes contraditório que Lula teve é no mínimo coerente, pois contribuiu para caminharmos no processo da revolução. Defender um Governo Dilma, é garantir que nosso projeto não retrocederá, além de ter certeza de que ela, por ser muito mais técnica e preparada academicamente, além de ser militante de uma esquerda que sofreu, foi reprimida, estuprada e torturada por essa elite reacionária, fará avançar o país para o rumo do socialismo que queremos amplo, democrático, horizontal e de garantias individuais e sociais.
A meu ver, as principais questões agora que precisariam ser resolvidas para avançarmos incomensuravelmente em nossa luta é a reforma tributária; regulamentando o IGF que está garantido em nossa Constituição; assim desoneraríamos o pobre e taxaríamos o rico que não paga nada de imposto comparado ao consumidor direto e os deficitários econômicos do país. Além disso, a reforma da previdência e a quebra do poder oligopolista midiático de nosso país, para dar nas das pequenas e médias tevês e rádios espalhadas por nosso imenso país a capacidade de reprodução da notícia como ela é, e não como os grandes conspiradores almejam.

Mas estas são bandeiras que defenderei numa próxima postagem.

Pedro Andrade

sábado, 26 de junho de 2010

Solidariedade para com as vítimas do "novo" PT

No lugar da ética, entraram os conselhos de Maquiavel


LEONARDO BOFF
Teólogo - iboff@leonardoboff.com.br

Passei um fim de semana lendo pela enésima vez "O Príncipe", de Maquiavel, no esforço de entender a atual política da Direção Nacional do PT. E aí encontrei as fontes que possivelmente estão inspirando o assim chamado "novo PT", aquele que trocou o poder da vontade de transformar a realidade pela vontade de poder compor-se com a realidade.
Nas palavras do candidato eleito pela convenção do partido em Minas Gerais, Fernando Pimentel, depois invalidado em nome da aliança com o PMDB, "o PT novo é o PT que faz alianças e convive com a realidade política brasileira, buscando transformá-la... Não somos mais um partido que coloca a ideologia como óculos escuros para não enxergar a realidade política; operamos com a realidade política do jeito que ela é para transformá-la" ("O Globo", 12.6.2010).
Vamos traduzir esse discurso de disfarce. A ideologia do PT originário era a ética e as reformas estruturais. O novo PT entende esse propósito como uma máscara que não permite enxergar a realidade política do jeito que ela é. Sabemos como é a política vigente, montada sobre alianças espúrias, sobre a mercantilização das relações políticas e sobre a rapinagem do dinheiro público.
Pimentel ainda acredita que, com as alianças, se pretende transformar a realidade, como se, para transformar uma gangue de bandidos, devesse fazer parte dela. No lugar da ética entraram os conselhos de Maquiavel: "ir diretamente à verdadeira realidade das coisas e não ater-se a representações imaginárias" (c. XV).
Para Maquiavel, a verdadeira realidade das coisas é a busca tenaz do poder, as formas de conquistá-lo e de conservá-lo. E aí vale tudo, os fins justificam todos os meios: o perjúrio, o crime e até o bem, se ele trouxer vantagens. As "representações imaginárias" são a ética. Ela não é posta de lado; até vale, desde que favoreça o poder. Caso contrário, pode ser atropelada: "não se afastar do bem quando se pode, mas saber usar o mal, se necessário" (c. XVIII). O importante não é ser bom, mas parecer bom. Não há porque cumprir a palavra empenhada se ela se volta contra o príncipe, pois "jamais faltarão motivos legítimos para justificar o não cumprimento de algo apalavrado" (c. XVIII).
É entristecedor ler em Pimentel que, "nesse processo de renovação, alguns companheiros vão ficar no passado". Esses, na verdade, são os portadores do futuro porque são fiéis à ética e ao sonho de uma política diferente. A direção do PT se rendeu, fazendo alianças escandalosas para se perpetuar no poder, se atolando no passado. O povo não merece ser defraudado dessa forma. Não é investindo em políticas assistenciais que se possa substituir-lhe a dignidade.
Mesmo assim, nas bases, deputados, prefeitos e vereadores do PT ético mantêm vivo o sonho e ão abandonam a questão: que Brasil queremos e de que ética pública precisamos?
Quero me solidarizar com as vítimas do maquiavelismo do "novo" PT, especialmente em Minas Gerais e no Maranhão. Neste Estado está ocorrendo uma tragédia, bem representada pelo histórico sindicalista Manoel da Conceição, de 75 anos, fundador do PT, torturado e mutilado pela polícia das oligarquias, obrigado a votar em Roseana Sarney, do PMDB. Da mesma forma quero me solidarizar com as vítimas de Minas Gerais, com Sandra Starling, com Durval Ângelo e tantos outros.
Nem tudo vale neste mundo. E se Cristo morreu, foi também para mostrar que nem tudo vale e que para tudo há algum limite, o que é válido também para o PT.
Duke

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Pela Revolução!

Tema importante para a esquerda Brasileira, definirmos o tipo de Revolução que queremos se torna fundamental neste período de transição eleitoral.

É consenso para todos que um futuro mais justo e promissor passa por um socialismo democrático e de massas. Apesar disto, muitos criticam o Partido dos trabalhadores, que se propôs a seguir nesta empreitada adotando o socialismo em etapas, mas não propoêm nada, em resoluto, de diferente do PT.

Os que se invocam a "Esquerda Brasileira" afirmam que a “Era Lula” não passou de um engodo onde o partido se aliou com a burguesia e manteve o sistema democrático burguês, traindo os que escolheram o LULA. Acharam como "solução" romper com PT e criar o seu próprio conglomerado de disputa do poder estatal, afirmando que agora, se eleitos, farão diferente.

Não percebi em nenhum dos poucos mandatos que possuem, sinal de rompimento com a classe burguesa nem com a ordem pseudo-democrática. Pelo contrário, vi o aproveitamento da máquina estatal, comum aos que dela se utilizam, funcionários fantasmas em gabinetes, amplas concessões para emendas no orçamento de execução, enriquecimento em causa própria nas custas do bem público.

Assim, os que criticam o partido, não buscam o rompimento imediato do sistema e o avanço para o Socialismo, buscam apenas o enfraquecimento do PT e a análise metódica dos seus erros para nestes se fortalecerem.  Meros “Esquerdistas”, tão criticados e combatidos por Lênin no início do século passado.

Neste País de dimensões continentais, o socialismo não pode ser imposto. Na Europa a dialética histórica se deu em séculos e com inúmeros confrontos. Além disso, o crescimento do capitalismo bancário, o aprofundamento do liberalismo,  a crise do capital e por fim o paradigma do bem estar social,  não serviram para sustentar  a Revolução.

No Brasil, a história destes acontecimentos é recente. O Paradigma do bem- estar social foi consagrado recentemente por nossa Carta Política em 1988. O liberalismo veio fortemente há  apenas 10 anos com o Estado mínimo de FHC. O Capitalismo e as relações de consumo já existiam, impostos pelo imperialismo americano que agiu muito na América Latina dos ditadores e que piorou a situação. Somados estes fatores, tudo se convergiu para a “salada” que hoje vivemos e que não sustenta um socialismo permanente.

Falar de rompimento do sistema burguês agora, seria suicidar o Socialismo antes mesmo dele existir. Seria pedir para não aproveitarmos a história fazendo as reformas que precisamos na democracia burguesa e assim estabelecermos bases para romper com o capital. Marx na carta sobre o programa de Gotha concordava categoricamente com esta visão quando escrevia aos dirigentes do partido Alemão afirmando a necessidade da realização de acordos com a burguesia que visassem os objetivos práticos do movimento e que não desvirtuasse m os princípios socialistas nem nossas concepções teóricas. Lênin ja criticava o dogmatismo, e combatia o esquerdismo, abrindo portas para usarmos a democracia burguesa em favor de nossa classe e prepararmos o povo e a economia rumo ao socialismo que queremos.

Portanto, o governo Lula, em 2003, após ter tomado posse, não tinha outra escolha a não ser a hoje praticada. Mesmo sendo um governo contraditório, não poderia caminhar para o socialismo num País sem reservas internacionais, com o Estado inoperante e incompetente, com o serviço público sucateado, o ensino que sequer supria necessidades agrárias, uma população marginalizada socialmente, pobre, vertiginosamente desempregada e sem poder de compra.
Como fazer um socialismo assim? como ter alguém preocupado com a revolução se nem a comida do seu filho se tem? é preciso inserir o  Brasileiro no mercado, resgatar sua dignidade para depois juntos, fazermos a Revolução. 

O Socialismo não pode ser imposto por mero capricho dos esquerdistas. Aliás, a aposta da burguesia (e dos que romperam com o PT), era exatamente a de que Lula romperia com o sistema atual e naufragaria a utopia socialista de vez, levando o país a bancarrota, estagnação e forte depressão social e assim sob o desespero e com os movimentos sociais desorganizados, “aparecesse um alguém para salvar o Brasil”, apoiado por toda a população, mas criado pela direita e pela elite reacionária que até então, detinha o poder.

Ainda bem que deu errado o plano da Direita. Que bom que a democracia do partido, expurgou os esquerdistas e favoreceu um plano de governo que pudesse dar sustentabilidade e base para no futuro, o sonho petista poder ser implantado.

Que nesta eleição, Dilma possa ser empossada pela população e garantir nosso socialismo por etapas, mais demorado, mas que muda de fato, hoje e agora, a vida do Brasileiro  e proporcionando uma sociedade mais justa e igualitária.