sábado, 15 de maio de 2010

Deus - Absoluto e Relativo

Acho que a principal questão não é discutir por que eu existo e a co-participação divina neste aspecto, o que é salutar pensarmos é em que tipo de Deus acreditamos.
Há Deus no sentido strictu e no sentido latu.
O primeiro é A CRENÇA em um Deus uno, alguém que criou todas as outras coisas.
O segundo, é a crença de que tudo o que foi originado, sai do cosmo e volta para o cosmo.
Não há como ser ateu/cristão, e não pensar na vida humana como um ciclo.
       
    Toda a natureza é um ciclo, e com o ser humano não seria diferente.
           
Inúmeros filósofos, entre eles, Aristóteles, Kant e Hegel, pensaram neste Deus metafísico e absoluto (latu sensu), sem negar ou afirmar o primeiro (strictu sensu).
Este, é uma crença pessoal em que nos definimos ser teístas ou panteístas, acreditar num Deus que é todas as coisas e origina todas as coisas, ou projetar um Deus com características humanas, como amar, cuidar, castigar, salvar, etc, para poder nos ajudar nos momentos difíceis e nos assegurar um passo para o outro lado do ciclo, seguro e feliz.
Uma coisa é certa, somos originários de um ponto inicial e tornamo-nos a este ponto, cedo ou tarde.
O que difere e o nome deste ponto: céu, inferno, cosmos, gaia, espaço, terra, etc.
Cabe a cada um, analisar em seu íntimo, o que te faz ficar bem.
 A mais racional, é acreditar nesse Deus como um todo, desprendido de sentimentos e qualificações dado pelos homens, do qual tudo sai e tudo torna. 
 O mais seguro para a mente humana, é acreditar em algo/alguém que está pronto para nos salvar e proteger, ou nos castigar se não andarmos na linha.

Enjoy

Pedro Andrade

domingo, 18 de abril de 2010

Uma mentira dita cem vezes,torna-se verdade um dia. - Hitler


  • Primeiro, o Blog mudou de visual, acharam maneiro? Percebi que assim ficou menos confuso.
  • Segundo, Dilma Rouseff afirma que eleita, implantará um projeto para acabar com o que tecnicamente se diz pobreza (ganhar menos que meio salário mínimo) em 10 anos, zerar o déficit habitacional e concluir a reforma da previdência, com empenho, é perfeitamente possível. Já o Serra, afirma que o Brasil precisa de mais. O engraçado é que como Ministros do FHC tiveram o surto da dengue, caos na saúde, má planejamento e apagão logo depois. Como governador de São Paulo, terceirização do serviço, sucateamento do ensino na periferia, repressão dos movimentos sociais, alagamento da Cidade e exclusão dos pobres, pensem.

Voltando ao tema título, estive presente na última aula de Civil e dentre vários momentos monótonos, técnicos e outros nem tanto, o professor resolveu explicar o motivo de ser conservador na área civilística, respeitando a estabilidade, a imutabilidade e a tradição, em desfavor da inovação que é o Direito Civil-Constitucional, dito na UFRJ por exemplo.

  • A explicação básica era: "Há 2700 anos o Direito Civil é assim. Posso usar Upiano hoje, no século XXI, bastando adaptá-lo as nossas peculiaridades. Já pensou se provassem que Cristo não viveu? que ele casou e não morreu? que ele nem ressuscitou? Eu, diria que o cara era um mentiroso - Você é um mentiroso.”Como poderia acreditar? A base do ocidente é o Cristianismo, se ele não existisse, talvez o próprio Brasil, não seria o que é hoje, o mundo não seria.
Foi quando eu disse a frase de Hitler usada para "lavar o cérebro" dos Alemães:
 
“Uma mentira dita cem vezes, torna-se verdade um dia.”
 De fato, o mundo seria outro. Mas, pera ae mano, vou continuar acreditando na farsa que Constantino e os Papas gostaram e justificaram seu poder hegemônico em cima, Nos protestantes, que acharam uma excelente maneira de crescerem usando esta justificativa, esquecer as pessoas que morreram, foram torturadas e o conhecimento reprimido, tudo pelo fato de não se questionar por que Cristo é Deus e se assim fizer vou para o inferno?
É verdade que nosso mapa geopolítico, nossa maneira de olhar o mundo e nossas justificativas para ele, foram baseadas e ainda são em termos, baseadas no Cristianismo, mas, este é um modelo falido e que ainda hoje, aprisionam as pessoas. É preciso inovar sim, é preciso criar, reinventar, repensar e refletir em tudo isso.

Conservadorismo é péssimo para a humanidade. Se não existissem pessoas ousadas, radicais, não haveria o progresso. O conservador não gosta do novo e por isso s estagna.

Coitado do mundo se não criticasse a igreja, se não dissessem que o Capitalismo estava errado, que o planeta está morrendo, que a Igreja não pode ser ligada ao Estado, etc.
Estaríamos fadados ao atraso.
Por isso meus nobres, só  acreditem no palpável, no inteiramente justificável e no racional.
Justificar uma mentira apelando para a Fé é muito fácil. Dessa forma, a ideologia da classe dominante não tem que se preocupar com o objetivo, e pode desenvolver seus teoremas profundamente no subjetivo e assim, alienar ainda mais as pessoas.
Hitler teria conseguido se sua farsa, não contrariasse a farsa dos outros, poderosos e estrangeiros, Mas, esta já é outra história.


Pedro Andrade

sábado, 10 de abril de 2010

A direita querendo se transformar em cordeiro.

Ontem recebi um e-mail. Daqueles em que alguém começa mandando para um número restrito e num instante vira um corrente.
 Geralmente apenas coloco como tentativa de pishing e encaminho para o lixo.
O problema era a matéria que ele versava.
DILMA: TERRORISTA, ASSASSINA E TORTURADORA.
Após esta manchete,  mostram fotos dos tempos de militante guerrilheira e pessoas supostamente assassinadas pelo grupo "para-militar da Dilma".
Meu Deus, inverteram as coisas né? Pessoas que arriscavam a sua vida num momento de Estado de exceção, onde todos os direitos e garantias fundamentais foram suspensos, onde a democracia e a liberdade de expressão foram sufocadas e suprimidas, onde qualquer pessoa que pensasse diferente do REGIME MILITAR, DITATORIAL, FASCISTA, APOIADO PELA DIREITA E A CLASSE MÉDIA EM SEU INÍCIO, era considerada subversiva e "sumia" da sociedade, sendo jogada em prisões, julgadas por tribunais de exceção, torturadas, estupradas (como no caso de DILMA ROUSEFF) e por fim mortas.
Vamos culpar pessoas que não possuíam qualquer abertura política para reivindicar pacificamente seus direitos de se organizar, pensar e defender a democracia por terem se apegado as armas como ÚNICA forma de defender seus direitos mínimos de Ser humano e natural como tal?

Digo que faria a mesma coisa.

O próprio Hobbes em sua teoria do contrato social já defendia a idéia de que o Estado, quando tirano, gera o poder subjetivo ao cidadão constrangido por tal política de defender sob quaisquer hipóteses o seu direito de existência.
Logo, lutar num momento em que o suposto "terrorismo" era uma das poucas formas de enfraquecer o regime, é mais do que entendível, é extremamente aceitável e nos faz ver o quão grande foram às pessoas que pagaram com sofrimento, medo, tortura e muitas vezes com a morte, para que hoje, pudéssemos desfrutar da construção de nossa democracia.
O engraçado é que provavelmente quem circulou este e-mail na web, na época do Regime farsante e corrupto que tivemos com os militares, aceitou todo esse absurdo calado, prostrado diante de todo absurdo da repressão do pensamento que era feito.

Apelo a todos que leem esta matéria, que não julguem Dilma Rouseff por sua aparência ou seu jeito menos carismático e apelativo comparado a Lula.
Peço a todos que a vejam como a guerreira que lutou por nosso País, por nossa democracia, por instituições sólidas e do povo, enquanto a maioria estava preocupada em viver a sua vida e não sofrer retaliações.
Que a vejam como a pessoa que foi co-responsável pela guinada pra esquerda nas políticas governamentais do governo Lula nos últimos tempos, com o aumento do Poder estatal na economia, para com os menos privilegiados, no aparato burocrático e nos gargalos estruturais como o investimento pesado na PETROBRÁS, na construção de estradas, portos, estaleiros, refinarias e usinas, e principalmente, apostem, na capacidade incomensurável da companheira como gestora.
Isso num País em que a burocracia emperra durante anos, obras que seriam necessárias hoje, agora.
Por tudo que você vê como precioso na democracia e liberdade que hoje temos e consolidamos de maneira irrestrita no governo Lula, Votar no Serra, é deixar o retrocesso, a repressão, o esquecimento dos pobres, o esfacelamento do estatal e o esquecimento de nosso ensino, voltar ao Governo central. Foi assim com FHC, é assim em São Paulo. É só ver como os professores estão descontentes, como as escolas estão sucateadas na periferia, como a USP não tem nenhuma política de inclusão que funcione, para com os que realmente precisam entrar na universidade, não sendo mais do que um feudo onde os filhos da nata paulista estudam.
Votar na Marina é fragmentar a esquerda para que ela perca votos que são do PT e  assim, as chances de Serra aumentarem, só isso.
Não é levá-la a Presidência, com esperança de um governo de esquerda.
A Presidente da natura provavelmente sairá como vice de Marina. Hipocrisia não? Para quem explora comunidades ribeiras, a floresta e supostamente faz testes com animais, não passa de um calcanhar de Aquiles, um fantoche, financiado pela elite que não agüentar mais, um governo dos pobres, do proletário, vermelho, governar o País.
Então, menos puritanismo demagógico e mais confiança do Brasil do rumo certo. Lula avançou no social, Dilma, avançará no Socialismo, ampliando as conquistas para todos os brasileiros, fazendo a revolução na educação de base que necessitamos urgente, realizando reformas estruturais essenciais, trazendo o resgate da máquina estatal como serviço à população.
Perder o governo para qualquer outro grupo político-partidário é não perpetuar mudanças sociais estritamente e fundamentalmente necessárias.

 Pensem nisso.

Pedro Andrade

sábado, 3 de abril de 2010

Uma reflexão sobre essa porcaria de páscoa.

Há tempos não posto.
Gostaria primeiro de salientar que a partir de agora, convidarei a todos para lerem um pouco sobre o tema eleitoral que irei escrever neste Blog.
Como Socialista, Markista-Trotkista, Petista e acima de Tudo BRASILEIRO, não posso deixar de escrever sobre esse momento único para nós - O da escolha entre o passado (liberalismo, esquecimento de quem precisa, repressão as liberdades e a Direita na poder) ou o Futuro que iniciamos com o governo LULA.
Irei expor fatores que provam de maneira inequívoca que este foi o melhor governo da história do Brasil, e precisamos continuá-lo.

Passando este ponto, quero postar neste blog algumas sentimentos desta tal sexta-feira santa numa cidade nada cosmopolita.

O que é o Santo? A noite? A Sexta? Vejamos, por que é santo?

As pessoas nesta data se organizam, repensam sua vida, estão em reflexão. Ótimo se for isso mesmo, legal se servir para mudanças, mas, péssimo se for mais uma data, mais um dia em que o homem resolveu divinizar algo e colocá-lo como solução para seus erros.

Precisamos buscar um sentido neste mundo, um resultado por ocupar um micro espaço no planeta, sujar, estragar, magoar, intrigar, gerar, e depois morrer. Somos apenas parte nisso tudo e se somos tal parte, precisamos fazer a NOSSA parte.
Como já diz Melendo em "Diversão e Tédio", as pessoas estão no mundo buscando espaços para seu tédio. Nossa sociedade é aquela que nossos pais plantaram lá atrás – individual, tecnicista e consumista. Tudo isso abre um espaço infindável para o vazio, o tédio.
Abre, porque perdemos a razão do SER, passamos o "tempo" correndo tanto, individualizando tanto, consumindo tanto, nos intitulando "especialistas" em algo e esquecemos de ser especiais...
Sim, especiais pois especialistas há milhares.
Tudo isso, porque esquecemos de olhar para o motivo de estar aqui.
Precisamos contribuir.
Para você que lê este blog ai do seu notebook, PC, Palm ou o caralho que for, tudo é muito fácil comparado à aquele que não tem nem moradia, quiçá o seu notebook para acessar meu blog.
Por tudo isso, é nossa a responsabilidade fazer valer a pena viver!
E viver fazendo valer a pena, não é como vemos as pessoas fazerem, supostamente aproveitando cada um dos seus híbridos minutos na balada, no "rock", isso só é a diversão para o tédio.
Fazer valer a pena, não é que não seja isso, mas, é não ser só isso, é buscar uma razão pra ser HUMANO. Não temos esta definição por pura práxis não minha gente, ser - ser humano é entender que cada um nesse mísero mundinho é exatamente igual ao outro e precisa de mim para se tornar igual, digno, merecedor de tudo igual a qualquer um.
É olhar pro outro e sentir, chorar, padecer, rir, ajudar, construir, trabalhar, motivar, alegrar, dar.
Não se preocupe muito com o que vem amanhã - o futuro é futuro não é mesmo? Se preocupe com o que você faz hoje para ti e para os outros.
Jesus, se você é um que acredita nele, não quer que você saia comprando pãezinhos, bacalhau, ou qualquer outra porcaria nesta Páscoa.
Tenho certeza que o que ele representa, quer que você reflita o que fez até agora nessa sua vidinha, frágil, pequena e curta, pois, se nela, não houve tempo para em tudo que fez pensar no melhor do outro, então meu caro (a), você nunca terá o melhor.

No universo tudo vai, tudo volta.
Pense nisso.

Boa Páscoa a todos.

Pedro Andrade

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O aborto. Visto como o Estado tem que ver.

Gostaria de compartilhar com os leitores do blog, o e-mail escrito por mim aos companheiros da Juventude do PT no Espírito Santo no debate que fizemos online.

Acho importante não misturarmos a posição que um Estado tem que tomar com nossas convicções pessoais.


Companheiros(as)


Gostaria de externar meu posicionamento quanto ao aborto. Sinto ter sido um pouco tarde.


Em primeiro lugar, é contra por quê? as pessoas tem uma enorme dificuldade para descutir e perguntar os porquês das coisas.

A igreja Católica é contra o aborto pois cada filho no mundo é um católico a mais para sua multidão de fiéis que a cada dia que passa diminui. Da mesma forma que a Universal é a favor em muitos casos pois, é uma cabeça a menos pra dividir as ofertas de seus fiéis. Pobre com muito filho não tem dinheiro pra dar, tem que comprar leite.

Infelizmente esta é a posição da alta cúpula. Não oficial é claro. Igreja é a base do capitalismo gente, em suas reuniões biscopais, as coisas são decididas em cálculos não em fantasias religiosas pois estas, de fato eles nem acreditam pois sabem que foram eles quem montaram essa farsa e fábula que é a bíblia em seu concílio da Basiléia, e os protestantes só continuaram com esta farsa por que era viável.

Não há como, biologicamente falando, ver em um ponto, principalmente no primeiro mês, como uma vida.

Aliás, o código penal só criminaliza o aborto, por que a CF garante o direito da inviolabilidade da vida. O problema todo está no fato de a doutrina, não enxergar o feto como um cidadão do Estado este, só se torna após o nascimento, mas não ter chegado num nível de conclusão final de onde a vida começa.

Acredito que esse ponto é um ponto de discussão perpétuo, por quê nossa contituição em seu art. 5º garante "aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida..." mas a jurisprudência, não conseguiu estabeleçer onde esta vida começa. A Igreja defende que seja a partir da fecundação, Biólogos, apartir do sistema nervoso, A lei, o nascimento.

Por conta deste ponto dúbio, qualquer liberação ou descriminalização do aborto, só virá por PEC onde se definirá onde começa a vida no Estado Brasileiro e dali em diante, as medidas tomadas em relação ao aborto.


Passando este adendo, é saudável lembrar que muitos padres possuem filhos clandestinos e obrigam o aborto das mulheres "violadas" por eles. Pura demagogia. a Igreja da Idade média com seus papas como Leão I e muitos outros, utilizavam a Basílica de São Pedro para constantes orgias com mulheres, homens e inclusive mulheres casadas e crianças, onde quando se era reclamada a honra destas, na mesma hora o homem era enforcado, morto. Abortos eram constantes, como afirma J. Cabral em A Igreja que Veio de Roma.

Sendo assim, é muito estranho e hipócrita hoje, onde a bola da vez para se segurar fiéis seja a paz, o padre bonzinho e o conservadorismo, milagrosamente, a igreja ser contra.

Quem reproduz este discurso, na verdade precisa se perguntar se realmente o faz conscientemente ou se apenas o reproduz, como um mero papagaio.

O grande problema é que como diz o ditado: "Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Gostaria de saber se algum ser humano sem condições, pobre, com um futuro pela frente (ou não) e que teve a desgraça de engravidar alguém ou estar grávida, e seja contra o aborto, não abortaria... Aliás, mesmo um que não seja nada disso e apenas não queira o futuro filho, mas seja fiel a "Deus", não o faria.

Conheço casos típicos de universitárias católicas roxas, mas que quando estiveram nesta situação não pensaram duas vezes.

Com tantos problemas de saúde pública, com a sociedade putrefando e o mundo a desgraça que está, é desumano querer obrigar alguém que nada é, ainda, apareçer aqui na terra e deixar as coisas ainda piores (pensando como o Estado deveria pensar).


Em segundo lugar, O objetivo fundamental de qualquer Estado, não é o de interferir na decisão íntima de cada ser humano, avançamos para positivar os direitos fundamentais.

O objetivo é garantir o convívio harmônico de todos.

É bem verdade que para os contratualistas (Locke, Hobbes, Montesquieu), o objetivo principal é garantir a vida mas, garantir a vida de quem já é súdito do Estado, e não de quem subjetivamente virá a ter qualquer laço jurídico com ele.

O Estado, TEM QUE SER NEUTRO, ele não é formador de opinião, ele não decide sobre o direito privado, ele não tira minha liberdade de escolha (isso no vácuo como os físicos diriam, ou seja, hipotéticamente ou num Estado perfeito).


Quanto a Igreja (qualquer uma delas), teria que se colocar no seu lugar de igreja, ou seja, de instituição que preza pela suposta comunhão do HOMEM com Deus, e sua busca constante pelo perdão, não em se meter na República e querer fazer de sua opinião a única juridicamente correta.

Daqui a pouco, estaremos retrocedento e suspendendo todos os avanços individuais que o Estado apoiou, por mero capricho religioso, por a igreja acreditar que não é de "Deus".

Esta, se tem um papel, é o de se concentrar na esfera do individual, do bem estar do homem com "Deus" e não da sociedade inteira com Deus, isto vai além de suas alçadas e remonta o período em que Estado e igreja se confundiam.

Fazer isso é muito caro e injusto para com todos aqueles que morreram na história por acreditar que todos teriam o direito de decidir o que querem pra si, inclusive o direito de reunião religiosa e principalmente o direito de decidir quando e como ter a sua descendência, direitos estes, defendidos pelo PT e por todos os que sofreram e/ou morreram na ditadura para que fossem positivados.


Por isso meus caros, acho que a igreja tem que se recolher na sua ignómia de coerção individual a Deus,isso se o homem assim permitir e querer, mas não pode querer que seus anceios e aspirações supostamente religiosos e "sagrados" sejam a opinião do Estado. Este, deve se manter perpetuamente distante de qualquer foco que não seja o da ciência e do bem estar comum, da maioria.

Se o aborto, interfere neste bem estar,quando milhões de cidadãos de direito e não de expectativa, são mortos por ineficiencia do próprio Estado, então, é mister que ele intervenha e reveja a maneira coercitiva que ele está levando o aborto. Assim, ele estará cumprindo com o seu papel - o de defender seus cidadãos de fato, aqueles que ele já possui vinculo jurídico, doa a quem doer.

As pessoas; aliás, as instituições do atraso, e que fazem parte fortemente da elite podre deste país, tem que aprender que o Estado, não é instrumento de barganha, de clientelismo e patrimonialismo, nem muito menos de benefício próprio.

Ele é de manutenção da liberdade de seus súditos, e estes por sua vez não tem como, só o são, após o nascimento pois o Estado é terreno, não é metafísico para acreditar em vida antes do nascimento (ou depois dele) ele precisa se ater ao palpável.

Por isso a incoerência.

Descriminalizar o aborto e legalizá-lo, não pertençe ao metafísico e ao que cada um acha certo ou errado. Fazer o aborto ou não, tem que ser escolha própria, onde cada um apartir de suas crenças e convicções morais, religiosas, éticas, etc, irá decidir por querer ou não o aborto, cabendo ao Estado garantir os meios para que esta escolha se efetive e com segurança ao seu súdito (objetivo principal de sua existência), não cerceando esta liberdade, tão defendida por nossos ancestrais.


Saudações socialistas amigas e amigos.


Pedro Andrade

domingo, 24 de janeiro de 2010

A moral e seu sentimento, o costume (Eu e meu amigo Nietzsche).

Uma amiga da Psicologia me emprestou um livro do nosso filólogo Friedrich Nietzsche.
Confesso estar feliz pois achei alguém que contempla os mesmos pensamentos que os meus sobre a moral....
O engraçado é que nosso amigo é do século XIX, um pequeno detalhe...

Seja como for, fica claro que a moral, nada mais é do que a obediência aos costumes e isso se dá em todos os âmbitos de nossa vida e sociedade.

O ser humano, é, como disse nosso amigo Locke ( que eu descordo em pequenos aspectos) uma tábula rasa, alguém que ao nascer, não tem opinião formada nem costumes pré-estabelecidos a seguir.

É a sociedade, O HOMEM (é ele quem quero ressaltar) quem ordena através de seus ritos, a este recém nascido os costumes a ser seguidos pelos homens de moral.

É bom sim que o homem tenha freios afinal, somos todos homens de paixões como o próprio Hobbes já assinalava a dois séculos atrás, e estas precisam ser controladas para que possamos viver em sociedade sem invadir e destruir o espaço do outro, o que na maioria das vezes fazemos já que a crueldade, ainda que impensada é uma forma de demonstração de poder e todos, gostamos dele.
Agora, preestabelecer (nova ortografia okay?) obrigações vinculantes aos homens, sob pena de castigo (seja ele por autoridade divina ou humana) e com o preceito do homem "bom" e moralista, aquele correto para a sociedade, é muito ruim.

1. Ruim por que limita o campo de atuação do ser humano e o padroniza no meio de bilhões que hoje existem no planeta;
2. Ruim porque castiga o homem e o tortura quando ele comete algo que para a sociedade em que está inserido é "imoral", martirizando-o.
3. Por fim, é ruim porque nos faz acreditar que o verdadeiro motivo para fazer aquilo que é moral ou seja, para cumprir os ritos da sociedade são os já preestabelecidos pelos costumes da sociedade em que se está inserido. Dessa forma, não usamos nossa racionalidade, o ato de pensar, pois já existem respostas para aquele tema, respostas estabelecidas por seu grupo, seja ele político, religioso, educacional, etc...

Para exemplificar, podemos colocar como exemplo a seguinte máxima cristã e de caráter moral:

"Deves não fazer sexo antes do casamento, se não, estará cometendo pecado e o pecador irá para o inferno"

Dessa forma, (1) quem obedeçe o rito, obedeçe porque ele é cristão e todos os cristãos não podem fazer sexo antes do casamento, (2) se por ventura ele desobedecer, comete pecado e fica se auto-flagelando, se sentindo culpado por ser um imoral trangressor, enganar a igreja que participa e ser um pecador que Deus punirá com o inferno e por fim, (3) não pensa de outra forma nem procura outra explicação do por quê de fazer ou não sexo antes do casamento se não, a de que Deus não quer nem a igreja e isso é pecado, errado e imoral pois já definiram assim,é isso, é o certo.

Dessa forma, não pretendo seguir a moral, não pretendo ser mais um na multidão, ser um cristão, católico, espírita, gay, heterosexual, esquerdista, direitista, pelego, radical ou qualquer outra forma de tachatismo social, eu quero mais é a revolução, a loucura, o que muda, o que transforma.

Não podemos avançar se todos obedecerem essa moral, esses ritos costumeiros de dominação social, de controle de massas, de apreensão de conhecimentos, é preciso o louco, o radical, o gay, o ateu, o agnóstico, a travesti, o esquerdista e o direitista radical...
É preciso alguém que peça 100 coisas para pelo menos 10 serem conquistadas, é preciso quem desmistifique o poder oculto da religião, da enganação pela punição divina, pelo castigo para os imorais...

Só dessa forma, poderemos avançar, poderemos desmestificar e descentralizar o poder das mãos das elites, seja o poder cultural de quem nem faz a cultura, o poder político de quem usa a política para vantagens pessoais, o poder religioso das mãos de quem nem pratica o que prega e sabe que tudo não passa de um concenso para controlar massas, mais precisamente um concílio, o de Nicéia, ou qualquer outro poder que não está sendo usado para o bem-estar das pessoas, de quem precisa só que está preocupado apenas em seguir a moral, em ser mais um, seja por desconhecimento ou por comidade.

Peço, aos que leem, que decidam quem querem ser, um ser bom, "moral" mas mais um na multidão e que nada contribui para o seu entorno a não ser repetir o que todo mundo diz, ou o "imoral", o "rebelde" o "louco", mas que contribui, que torna as coisas diferentes, que pensa e não aceita a opressão e domínio de uma maioria escrota e ignómica?

make your joice...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Se os tubarões fossem homens...

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos
Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .
Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Bertold Brecht