quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E essa tal modernidade?

Modernidade, o que é essa tal modernidade?
Prejudica os povos e as nações, degenera as ideias e prefere a encenação.
Modernidade e essa tal modernidade danada,

Não perdoa só cobra.
Nao delibera, renega.
Não limpa, intoxica. 
Outro mundo é possível.

Um  mundo moderno não é impetuoso.
É Democrático e Livre!

Um outro mundo é possível,
Um mundo de todos
Livre dos conceitos e meios 
em que a liberdade de fato corresponde a tal vontade...

Mas ai, se liga, vontade não é libertinagem, é liberdade!
Pedro Teixeira

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

DIAS 9 e 10 de NOVEMBRO – ELEIÇÕES DCE UFES E CONSELHOS SUPERIORES!

DIAS 9 e 10 de NOVEMBRO – ELEIÇÕES DCE UFES E CONSELHOS SUPERIORES!

Amanhã, a partir das 8h começam as eleições para o DCE e conselhos  Superiores entre os Estudantes da UFES.
Nestas três semanas de campanha a CONECTA UFES tentou construir o  começo de uma Universidade mais Plural e com mais movimento.

Deu na cara de suas intervenções artísticas-culturais em frente ao RU, nas blitz do CT, no Churrasco em São Mateus e em todas as passagens em salas de aulas e campanhas de corredor o que queremos para a o DCE da UFES.

Uma Entidade Forte, que pense o Estudante em primeiro lugar, a Academia, a Extensão e a pluralidade das formas, cores e idéias.

Por tudo isso acreditamos que o DCE pode encantar mais gente, pode funcionar mais e pode trazer o estudante para participar. Seja das lutas do dia-a-dia, seja da construção de sua política e da forma de encarar a UFES.

Amanhã em seu CURSO, no seu CENTRO ou em SÃO MATEUS E ALEGRE, pedimos voto na CHAPA 02. Queremos um DCE mais próximo dos estudantes e que acredita que no diálogo, no respeito e na construção conjunta com a UFES, teremos uma Universidade e uma sociedade cada vez melhor.

VOTE CONECTA UFES para o DCE e para todos os Conselhos Superiores. VOTE CHAPA 02 nesta Quarta e Quinta-feira. Vote por um DCE + CONECTADO com a UFES.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A grande crise do Sistema-Mundo


Pedro Teixeira


A transformação é o ato de tornar em algo totalmente diferente aquilo que outrora foi coisa um dia. Não vejo outra saída para essa grande crise que o capitalismo enfrenta se não a transformação.

O mundo se envolve em 2011 numa crise que caminha para se tornar aguda, a beira de um colapso. No Brasil felizmente não conseguimos observar a dimensão do buraco negro que suga, puxa e transforma o Planeta. Nossas reservas internacionais batem recorde, nosso sistema financeiro não enfrentou os mesmos problemas que os países do mundo desenvolvido e nossa política de um Estado indutor e intervencionista, garantiram o consumo interno e a expansão do crédito. A questão é saber por quanto tempo...

O mundo e o próprio capitalismo financeiro começam a se perguntar o que fazer? Passados três anos do crash de 2008, as economias fiadoras do projeto Neoliberal de enxugamento do Estado e massificação do consumo não conseguem achar o compasso entre crescimento e projeto de futuro.

O que se começa a discutir é qual será o rumo do Planeta nesse próximo período. O mundo financeiro capitalista global que viveu seu exponencial crescimento nos anos 90 e início dos anos dois mil percebe que já não é possível produzir sem rever alguns valores.

Paralelamente a isso, em todo o mundo a democratização das mídias, as redes sociais e as revoltas populares, somadas, começam a fazer pressão para afirmar que este modelo de desenvolvimento não pode continuar. Como já se anda dizendo, o casamento entre democracia e capitalismo vai de mal a pior. Suas contradições hoje são vista em todo o mundo: Países ditos fiéis baluartes da democracia, reprimem e violentam manifestações pacíficas e atitudes de críticas ao Estado Neoliberal e ao Sistema.

Através dessa pequena contextualização é possível perceber que o mundo hoje está em disputa em todas suas escalas e proporções. A idéia do Sistema-mundo, muito bem definida por Immanuel Wallerstein, nos faz perceber que a ligação intrínseca que o Capitalismo-industrial-financeiro proporcionou ao centro, a semi-periferia e a periferia do planeta, através de resultados cíclicos de normalidade e pasteurização que esse modelo impôs a cada um de seus biomas (periferia, semi-periferia e centro), começam a se tornar instáveis após a crise de 2008.

O que era centro começa a perder tal posto para os países semi-períféricos. Hoje tais nações estão se mostrando incapazes de tomar decisões políticas rápidas nas resoluções de crises. Já os BRICS emergentes, começam a despontar saídas e a dar receitas aos que outrora eram seus senhores.

Na periferia até então esquecida e não noticiada, o mundo começa a ver o calor das revoltas sociais e da busca pela garantia de direitos e de outro modelo de Estado.

Mas se tais constatações nos são colocadas, podemos de um modo grosseiro chegar à conclusão que o capitalismo possui os dias contados para o seu fim. Quem dera que tal informação fosse verdadeira.

Como dito, o mundo está em disputa. A própria teoria dos Sistemas-mundo, só nos ajuda a diagnosticar que o movimento cíclico de continuidade do sistema agora só está se adaptando a novos atores no cenário mundial, talvez até transformando o que era centro em semi-periferia ou promovendo a semi-periferia em países centrais.

De qualquer forma o mundo está em crise - Política, econômica, cultural e social. Se não houver qualquer intervenção da esquerda na disputa do projeto de poder do planeta, tal crise simplesmente irá caminhar para a recomposição dos atores globais e de um nem tão novo capitalismo mais “humanitário”, somente.

Tal constatação é notória se analisarmos que os mais prejudicados nessa crise não são os ricos. Quem estava rico antes de 2008, em 2011 continua rico e muitos até mais.

O grande prejudicado nessa história como sempre é o Estado e seu próprio Sistema, criado e articulado para desenvolver mecanismos de acumulação de capital nunca antes obtidos na história.

Diante de tal constatação é preciso refletir que a crise de 2008 não é uma crise financeira, no sentido de escassez da moeda. É uma crise política de entender qual será o papel do Estado no controle e organização da comunidade Terra a partir de agora.

Tal qual os novos modelos econômicos e políticos que revolucionaram o planeta ao longo da história, tais quais o feudalismo, o absolutismo, o mercantilismo, o capitalismo industrial e o próprio capitalismo financeiro atual, essa Era é a período da história do homem em que todas os povos, todas as nações e todas as pessoas são chamadas a presenciarem e participarem da Transformação.

Tal e qual todos os modelos políticos econômicos ao longo da história, o capitalismo financeiro moderno caminha para o buraco negro da transformação. Infelizmente ainda não sabemos no que tal monstro se transformará.

O que se detecta é que ele está puxando a todos. Capitalistas, Socialistas, Comunistas, Hare Krishna e o Diabo, para esse abismo de proporções inigualáveis devido à própria complexidade de relações que o mundo moderno vive.

Perceber isso é tão importante quanto a própria crise. Só com a percepção das movimentações que estão ocorrendo é que a esquerda tem condições de disputar quais serão os elementos que entrarão nesta “salada mix” que caminha a humanidade e que dará num novo modelo de ver e ter o mundo.

Só percebendo isso é que se consegue entender as movimentações do Governo do PT no enfrentamento da crise, nas relações com os movimentos sociais, com o Estado e com a comunidade internacional.

O Partido dos Trabalhadores e o Governo do PT já entendeu o tamanho da crise que nos metemos. Já entendeu também que o novo modelo de planeta já está sendo construído. Percebeu também que as alianças e os blocos políticos começam a ser desenhado no mesmo grau de proporção em todas as esferas – Mundial, regional e local.

Percebeu também que qualquer modelo que vir a se consolidar, só dará certo se tiver um Estado garantidor de direitos e interventor na economia, na propriedade, na comunicação e nas relações internacionais. Percebeu também que tais relações devem estar estritamente no mais alto limite democrático.

Resta saber a todos nós se percebemos que junto com tais paradigmas, entendemos que tal projeto deve ser de esquerda e ligado a disputa do bem comum, dos valores do SER, de uma sociedade mais justa, igualitária e de menor consumo.

Não é o padrão de vida mais alto que deve reger as relações sociais e econômicas neste próximo período, mas sim um melhor padrão de vida para todos, o que por si só na sua essência transforma tais valores nas suas próprias antinomias.

É a partir deste texto que convido toda a esquerda brasileira, toda a Juventude do PT, todos os inconformados com o Sistema da valorização do TER, da mercantilização não só das coisas mas das relações sociais, que se organize e dispute com unidade TODOS os espaços onde é possível disputar o projeto de um novo mundo.

A Universidade, seu bairro, o Estado, o próprio Sistema-mundo...

Se alguém já duvidou da capacidade de intervenção de nossa geração, a geração do programa neoliberal...

Se alguém quis acreditar que essa era uma geração perdida, sem conquistas, que não liga pra política, não se engane. É essa geração que vai construir um novo mundo pós-crise do capital. Pode ser melhor, pode ser pior. Pode ser de esquerda ou continuar na direita. Pode ser democrática de fato ou democrática de mito.

Só não tem como ser fora das relações estatais e fora do reconhecimento de cada SER que há no outro. O aprofundamento das relações sociais e o reconhecimento do Estado como indutor de tais relações nos mostra que tal objeto já não é um monstro por si só. O monstro que outrora era o Leviatã, agora pode se tornar disputável e verdadeiramente implantar políticas públicas oriundas do poder popular. Qual é a capacidade de intervenção que teremos para criar e recriar o Estado de uma tal forma que ele consiga cumprir tais anseios? Quem descobrir e conseguir implantar ganha o game.Façam suas apostas...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A Verdadeira face do PSD

 
*Pedro Teixeira

O conceito de criação do não tão novo PSD, supostamente criado por Gilberto Kassab, não passa de um manifesto em defesa dos grandes empresários, da iniciativa privada, da grande mídia e do poder - da retomada de um Poder perdido com a subida do PT ao Palácio do Planalto e sua infiltração hoje hegemônica no Estado Brasileiro, na Mídia alternativa e na aliança com as Mídias progressistas e os novos empresários, outrora empregados.

Reflete o desespero de um Grupo do País que perdeu espaço e voz nas decisões do Brasil.
O maior deles, a Elite de São Paulo, representada historicamente por José Serra e FHC.

Em minha opinião, Kassab não passa de um “pau mandado”, alguém que recebeu as ordens e o manifesto de fundação ou “Carta à Nação” da Elite econômica e aristocrática de um país retrógado que a 8 anos faz parte do passado.. De uma elite, representada politicamente por um projeto fracassado - o Neoliberal e seus maiores expoentes na política: José Serra e FHC.

Lendo o manifesto de fundação que Kassab pronunciou hoje em Brasília, não é Kassab quem vejo falar, é o interesse dos grandes poderes econômicos, midiáticos, ruralistas, reacionários e aristocráticos. Nele é possível ver frases ditas por grandes expoentes de grupos da sociedade que num simples fetichismo se transmutam na figura de políticos como José Serra.

Além disso, a cara de pau é tamanha que o “Manifesto” brinca com a mente do leitor através da subsunção, ou seja, de frases já ditas e repetidas muitas vezes por políticos importantes no país e funde tudo, como se todos os conceitos sejam a síntese de um conselho milagroso do PSD para o País.

Aqui, se inicia a lavagem cerebral e a subsunção das idéias com José Serra iniciando o discurso: Defendemos a iniciativa e a propriedade privadas, a economia de mercado como o regime capaz de gerar riqueza e desenvolvimento, sem os quais não se erradica a pobreza. Acreditamos num estado forte, regulador, mas democrático e centrado nas suas prioridades sociais.”

Ali, percebe-se FHC com seu resquício Florestan Fernandes já contaminado pelo Neoliberalismo: “Apoiamos as políticas sociais aos que mais precisam do amparo do estado, e a necessidade de abrir as portas de entrada do emprego digno para esses cidadãos. Devemos isso ao Brasil que quer e precisa se modernizar, se tornar mais ágil, se libertar das impossibilidades e oferecer, de verdade, igualdade de oportunidade aos que querem se profissionalizar, gerir seu próprio negócio e vencer na vida.”

Num outro momento fica notória a ideologia dos novos Senhores da Fazenda, agora chamados de Ruralistas, vomitando que “O PSD aposta na agricultura e na pecuária – como parte da cadeia produtiva do agronegócio – que libertou do atraso histórico as populações do campo, transformando antigos proprietários rurais em empresários e criando uma nova classe de trabalhadores especializados e valorizados. Mas fazemos questão de lembrar e valorizar a multidão de pequenos produtores, uma classe batalhadora que carrega o Brasil nas costas.”

Logo em seguida, descreve um tema batido nos últimos tempos e que na última eleição, ganhou a campanha, e ao mesmo tempo angariou muitos votos e muito lucro para o Grande Capital e o mercado, este tema chama-se Meio-Ambiente, no entanto com uma nova roupagem - “O PSD apóia e defende a preservação do meio ambiente como fator de sobrevivência do homem e da própria vida do planeta. É possível alargar as fronteiras da produção, de maneira sustentável e responsável.” (Capitalismo Verde)

A Classe média mais arraigada e neoliberal construída nos anos 90 de FHC também tem seu espaço: “O PSD exige a exposição clara, em todos os produtos comercializados, de todos os impostos ocultos nos preços dos bens e serviços, para que o cidadão saiba o que paga e o que tem direito a receber de volta do Estado. Pago, logo exijo (Teoria da Mercadoria e do consumo): esse é o cidadão alerta e ativo que queremos.”

Os militares e a proteção das fronteiras e da soberania nacional: Presentes!  “O PSD defende intransigentemente a Zona Franca de Manaus como pólo de desenvolvimento tecnológico e de geração de empregos.”

Chegou a tal escrutínio, a ponto de reproduzir um discurso de Dilma no combate à Corrupção e a luta por um Estado eficiente e que funcione melhor. Com essa mistura conseguiu dar o ar amorfo de terceira via: O PSD será também intransigente na condenação e denúncia pública da corrupção e dos malfeitos. Está ao lado da sociedade, do trabalhador, dos jovens, da família brasileira que exigem respeito ao dinheiro público e comportamento ético, coerência e honestidade de seus governantes e da classe política. O exercício da Política tem de ser responsável, transparente, não comporta conluios, conchavos ou sombras.” (É a alavancada de Plínio Salgado e a FTP – Família, Trabalho e Propriedade)

Mas esse não é o pior do PSD, o partido ressuscita o maior golpe que a Direita, as Elites seculares do Brasil, a Grande mídia e a Nobreza todas juntas, tentaram impor ao povo Brasileiro: A revisão constitucional que poderia dar uma nova forma de governo, um Sistema de governo novo e uma nova regra do jogo que retomasse o poder de quem perdeu muito espaço nas decisões do País para o poder popular e que agora corre atrás do tempo perdido pelo jeito que sempre fez: Por dentro de sua máquina monstro – o Estado.

Os ditos remendos constitucionais e improvisações oportunistas”, na verdade são todas as conquistas dos trabalhadores, da democracia, da sociedade e de um País que avançou nestes últimos 10 anos e que através de novos institutos como a Função Social, a Boa-Fé e a Dignidade Humana, fizeram estas Elites perderem espaço. Fizeram o mercado ter prejuízo ao longo dos ano e fizeram o homem refletir no que tange a exploração sobre o outro.

Assim quem emprega pessoas em regime escravo já não pode fazer isso, dá cadeia. Quem usa e abusa da informação para objetivo pessoal, já não consegue dar sustentação a sua hegemonia midiática. Quem perdeu o poder político que detinha desde a redemocratização, sumiu à quase nada e não sabe como caminhar. Por fim, quem apostava no Estado Neoliberal pequeno, na regulação do mercado e na mercantilização de todas as coisas e pessoas, viu que a partir de sua própria crise mundial e da perda de seu projeto de poder neoliberalizante, tal loucura já não faz mais sentido.

Venho fazer parte de um grande conclame a todo o povo Brasileiro: Não deixeis se enganar. O PSD tem cara de um, mas é de outro. Parece que defende os Brasileiros, quando defende apenas alguns “tipos” de Brasileiros.

Faz acreditar que o povo é burro. Não percebe que agora o povo não quer ser apenas empregado, que fica calado com seu salário e uma “vidinha” feliz.  Perceberam que agora o povo “pode”, a Mulher pode! As minorias já começam a poder e assim, ta tudo errado Brasil. O povo pode, mas não pode tanto!


Pedro Teixeira é Diretor de Direitos Humanos da UNE e Candidato do Movimento Ação e Identidade Socialista à Secretário de Juventude do PT no Espírito Santo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desafios para o II CONJPT e toda a juventude petista!


Neste ano, entre os dias 12 e 15 de novembro de 2011, a juventude petista convoca o seu maior fórum de organização com o intuito de consolidar e aprofundar sua própria dinâmica e de apontar ao Partido dos Trabalhadores e a toda a sociedade sua unidade e fortalecimento em prol de uma juventude protagonista e dona de seu tempo. Sob o Tema  Uma nova geração para transformar o Brasil, jovens petistas de todo o Brasil começam a se organizar para disputar suas teses neste congresso que promete ser a maior congresso feito pela JPT.

Entretanto, isso não é suficiente para que seja garantido de fato uma mudança geracional e de paradigmas dentro do Partido e da sociedade que disputamos.

A constante busca por nossa emancipação e autonomia, que culminaram no I CONJPT, trazem hoje um novo cenário para nossos militantes, principalmente num momento de consolidação de nossa autonomia e nosso espaço dentro da sociedade: A disputa pela transição geracional dentro do Partido e do Estado Brasileiro, além de uma clara necessidade de um projeto de futuro para a juventude.

Desde sua organização em setorial, a Juventude do PT sempre buscou autonomia para dar respostas a inúmeros paradigmas e posturas dentro do partido de forma qualitativa e contributiva.
Nesta perspectiva, temos um avanço notório e inquestionável na intervenção da juventude no Partido dos Trabalhadores e na sociedade, seja pelo I CONJPT, seja pelo fortalecimento do debate de juventude e de PPJs no Governo federal, seja pelo fortalecimento e acúmulo do que se desejou chamar de Juventude do PT.

Com tudo isso, o II CONJPT deve ter como norte muito claro à nossa organização. Qualquer debate de consolidação de lideranças, formação de chapas e disputas de ideias para o Congresso da Juventude, sem dúvida deve estar pautado para além do discurso tradicional de unidade e autonomia. A juventude do PT provou que sabe levar acabo com tranquilidade e maturidade esse tema. A organização de nosso segundo congresso, tem que trazer esta unidade e autonomia para garantir que consigamos enxergar o partido para além de correntes ou disputas e para além do fortalecimento individual.

É preciso ter a clareza e seriedade na análise de que é preciso se ter uma juventude que é identificada com a luta de seu tempo e age na formulação e construção para garantir que o projeto democrático popular protagonizado pelo PT, tenha oxigenação e avanços constantes. Isso ocorrerá quando a unidade se traduzir num sentimento de grupo que formule e planeja sua intervenção para dentro do PT nos próximos anos.

O modelo de tratar a juventude única e exclusivamente como grupo de mobilização ou de organização e ajuda de campanha eleitoral deve se findar para que consigamos levar a juventude do PT a um patamar em que ela consiga estar inteiramente inserida nas políticas, formulações e ações do Partido dos Trabalhadores e assim trazermos as soluções para os novos paradigmas que o projeto de revolução democrática capitaneado pelo PT necessita nestes tempos tão difíceis.

Análise de Conjuntura

O modelo liberal econômico adotado pelo mundo e pelo Brasil, principalmente nos anos 90, já se demonstra incapaz de responder as novas demandas. Jovens de todo planeta começam a se mobilizar contra as injustiças e a latrocínio econômico que o sistema financeiro global provocou em muitos países. Começam a se mobilizar contra a maneira que o Estado até então subserviente ao mercado, desenvolve sua democracia e organização.

Primavera de março no Oriente Médio, mobilizações de revolta ao consumo em Londres, passeata dos 100 mil no Chile, mobilizações juvenis na Espanha, Grécia, e Finlândia. Todas, mesmo com suas diferenças, apontam para um denominador comum: Há um esgotamento na estrutura do modelo econômico mundial, na democracia representativa e no modo de encarar o Estado.

Brasil

Aqui no Brasil, com a vitória do PT na condução de seu projeto Democrático-popular em 2002, vivemos um momento anti-cíclico na esfera global.

Alargamento da democracia, valorização do indivíduo marginalizado, fortalecimento do consumo, da renda e da educação. Tudo isso somado garantiu ao Brasil estreiar um modelo pós-liberal de demonstração efetiva de protagonismo na resolução dos problemas que a crise mundial dos capitalistas provocaram.

Entretanto este modelo não está findado. Sabemos que o tipo de estratégia adotada para a condução do País por nosso Partido é um modelo pós-liberal. Sabemos também que o caminho certo não é o fortalecimento do neo-liberalismo, do mercado e da intolerância.

Entretanto, não temos claro que rumo tomar num momento em que se inicia um novo modelo de organização do Estado e da sociedade no planeta.

Nossos desafios

É preciso que a Juventude do PT aponte claramente qual é o rumo de Partido e de País que nós queremos disputar.

O próprio modelo de Bem estar social adotado pelos partidos sociais democratas no mundo já sofre um esgotamento em que não se sabe mais até onde vão as reformas e onde começa-se o reformismo.

Desta forma, num momento de grande oportunidade de mudança na maneira de lidar com o modelo econômico e com a organização do Estado, a Juventude do PT precisa estar firme para atuar como protagonista na condução de um modelo Socialista, democrático e de emancipação social para este novo período da história mundial.

O fortalecimento de uma economia global em que o sistema financeiro de crédito internacional, o marketing mundial e a virtualização das manifestações através das redes sociais provocadas pelo avanço do capitalismo e do consumo, trazem desafios para a organização do PT que serão solucionados pela própria geração que vivência estas mudançasNossa Juventude.

Desta forma, não será possível ao Partido dos Trabalhadores ampliar sua hegemonia política e cultural, sem dialogar com a camada que dentre alguns anos deverá se tornar a camada dominante na sociedade. Não é preciso falar que hoje no Brasil temos mais de 50 milhões de jovens que vivenciam e se indagam diante de inúmeros acontecimentos que pelo dinamismo, o PT não consegue trazer respostas e não consegue dialogar para disputar e pautar as ideias deste grupo que hoje está em plena efervescência.

O envelhecimento dos partidos e o engessamento da maneira de fazer política das juventudes políticas organizadas, provocaram o afastamento desta nova juventude antenada nas redes e recém-chegada ao mercado de consumo.

Foi esse envelhecimento e engessamento dos partidos políticos e de suas juventudes que impediu-nos de enxergar que no século XXI a juventude quer cada vez mais um Estado humanizado, que auxilia a sociedade na construção de um mundo em que o mercado não pode regular tudo e que seja mediador da sociedade civil para se alargar os direitos individuais e coletivos até então posto.

Esse movimento é claro quando analisamos as inúmeras marchas que estouraram País a fora e que não tiveram na sua construção o protagonismo das juventudes organizadas.

Dentro deste cenário, é preciso entender que não é essa nova juventude de inúmeras gerações e ideias que está errada. O errado é os partidos políticos e as juventudes partidárias não entenderem que é preciso mudar.

É preciso intervir cada vez mais no Partido, garantindo que estes novos desafios dessa nova agenda que o mundo inicia, sejam capitaneados por nossa atualização ideológica que não perca o socialismo petista de vista mas que consiga valorizar muito mais as massas e sua emancipação do que a vanguarda dogmática.

com a abertura do Partido e de suas instâncias para uma juventude organizada e que tem seu norte na aproximação e disputa desta sociedade de hoje e de amanhã, é que poderemos reverter este quadro. A oxigenação e o alargamento da democracia no PT, protagonizada pela juventude e por suas respostas a estes paradigmas, é que torna possível garantir o partido constante no rumo de um projeto de esquerda socialista, democrático e de massas.

Por tudo isso, o II CONJPT terá sucesso se a juventude e seus protagonistas conseguirem se colocar na formação e formulação de um projeto de inserção da juventude nas instâncias formuladoras e deliberativas do PT, em que a mesma possa garantir a transição de seus quadros e o avanço no debate das ideias e da vontade de lutar que este novo mundo que se inicia tanto pede.

Não há possibilidade para alternativas distintas ao que está posto no cenário mundial e Brasileiro.

Estamos vivendo uma era de ruptura com o velho, o arcaico, o injusto e o não-democrático. Ou atualizamos nossas propostas e discursos e disputamos o PT sob esse novo viés colocado, ou então seremos mais uma das muitas juventudes alienígenas aos movimentos sociais e distantes da intervenção real na sociedade.

Pedro Teixeira