segunda-feira, 28 de maio de 2012

Por uma Vitória mais justa queremos mais PT nestas eleições!


Por uma Vitória mais justa,
queremos mais PT nestas eleições, queremos IRINY LOPES PREFEITA!


No Espírito Santo, ano de eleição é sinônimo de Geopolítica. Ano sim outro não, a classe política se depara em obrigatoriamente se curvar para as movimentações e aproximações que tenham como resultado a manutenção da hegemonia do Ex-Governador Paulo Hartung.

No ambiente político, há quem diga que Paulo Hartung sofre da síndrome da branca de neve: Ao lado dele só anão. Só aceita como aliado quem fica menor que ele, mesmo que para isso o ex-governador tenha que diminuir seus aliados a tamanhos que não coloquem em risco seu poder.

Desde 2002 quando foi eleito Governador pela primeira vez, todas possíveis ameaças à construção de uma hegemonia de poder que girasse em torno dele foram duramente reprimidas.

Saíram presos os aliados de Gratz a partir do “Novo Espírito Santo”, bem como diminuíram na política a Família MAX, os Camatas e o PSDB e o PSB que o abrigaram para ser candidato outrora.

O jogo embaralhado da política de 2012 é resultado das eleições de 2011 no ES com a intervenção de LULA para que Casagrande e o PSB fossem candidatos ao Governo.

A geopolítica, tão segura até 2010, foi posta em “xeque” a partir de então. Com o aumento súbito do PSB pela eleição estadual, o Ex-Governador buscou retomar seu espaço político e poder perdido.

Tentou usar o PT como escada para sob sua batuta, com a Prefeitura da Capital, ter Poder e assim organizar seu clube de interesses pessoais para retomada do Governo Estadual.

Chantageou o partido afirmando que sua candidatura era impossível de ser derrotada e ameaçou seu isolamento na geopolítica estadual se o PT não retirasse sua legítima candidatura para ser seu vice.

Entretanto, esqueceu Paulo Hartung que diferentemente dos partidos que o abrigaram outrora, o PT é um Partido Vivo, com forte intimidade na sociedade civil e nos movimentos sociais, bem como um partido coletivo.

O PT não aceita jogos prontos. Sempre quando disputou eleições majoritárias neste Estado, suas campanhas foram pautadas no debate com a sociedade e pela disputa contra projetos antagônicos a sua missão de mudar para melhor a vida das pessoas. Foi assim nas Candidaturas de Perly Cipriano outrora, no Governo de Vitor Buaiz, nas eleições para Prefeito de Vitória em 2004 e 2008 com João Coser e nas Eleições de 2008 em Vila Velha com Claudio Vereza.

Além disso, o PT é o partido da Unidade. Partido de companheiros e companheiras que sonham juntos uma sociedade mais democrática e igual, e que não aceitará sob hipótese alguma a imposição de uma candidatura pessoal sob os interesses coletivos e da sociedade.

Em 2012 a candidatura de Iriny Lopes é a resistência contra interesses individuais. É a prova viva de que o PT não aceita chantagens, não tem dono, é coletivo e sabe defender seu projeto com unidade.

A resistência do Partido dos Trabalhadores, ajudou a fortalecer em todos os partidos, na classe política e na sociedade, a necessidade de resgatar a soberania popular nos processos decisórios e a liberdade de cada partido em poder decidir seus candidatos pelos seus processos internos.

A tentativa de isolar o PT e de afirmar que era necessário “Rumo” na administração de Vitória, foi a tentativa de se apoiar no PT, para conseguir força de combate a nova direção política que o Estado do Espírito Santo constrói sob a direção de Renato Casagrande.

Apresentando um projeto pronto em que ao PT, com os recentes desgastes na Prefeitura de Vitória orquestrados por Paulo Hartung e divulgados pela Rede Gazeta, só caberia a posição de vice-prefeito nesta história.

A desistência de Paulo Hartung para Prefeito de Vitória, não é fruto de uma conveniência pessoal para se dedicar a família. Pelo contrário, é resultado de uma efervescência social protagonizada pelo PT que entendeu não ser mais possível caminhar com o Ex-Governador.

Por tudo isso queremos a continuidade dessa Vitória mais justa. Queremos mais PT para a cidade de Vitória. Queremos que 2012 seja um ano em que os interesses coletivos de fato se sobreponha aos interesses pessoais.

O Encontro de Tática Eleitoral dos próximos dias, precisa demonstrar mais do que nunca a maturidade do Partido em ter unidade na construção de sua candidatura própria.

O PT tem a oportunidade de declarar um basta a geopolítica! Um basta ao império Paulo Hartung para se construir uma nova Cultura Política no Estado.

O resultado das eleições de 2012 protagonizada pelas eleições de Vitória, pode resultar na queda da hegemonia de Paulo Hartung e no no fortalecimento do PT. Por tudo isso, assinamos esta carta à Vitória no acerto de que a Candidatura de Iriny Lopes para Prefeita de Vitória representa o melhor movimento para a cidade, o Partido e o Estado do Espírito Santo.

Representa a resistência a 10 anos de um império que desprezou a juventude e que fez os índices de extermínio e de violência contra o jovem dispararem e se tornarem um dos maiores do Brasil.

10 anos de privatização da Educação, da saúde e dos hospitais, das masmorras capixabas e atentados aos direitos humanos, de combate aos movimentos sociais, aos estudantes e de fortalecimento das decisões das multinacionais e empresas contra a sociedade.

Contra a continuidade desse modelo falido e na certeza de que Vitória tem rumo e sabe o que quer, defendemos o Projeto do Partido dos Trabalhadores à Prefeitura de Vitória, defendemos a Candidatura de Iriny Lopes para Prefeita – Queremos votar no 13 novamente!


Assinam: MOVIMENTO MUDANÇA - ESPÍRITO SANTO / MAIS-PT/ES / PEDRO LUIZ TEIXEIRA – SECRETÁRIO ESTADUAL DA JUVENTUDE DO PT / VINÍCIUS DE LIMA – SECRETÁRIO DE ORGANIZAÇÃO DA JPT / MARCOS SENA – COORDENADOR DO CENTRO DE REFERÊNCIA DE JUVENTUDE / MAX DIAS – SECRETÁRIO EXECUTIVO DO CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE DE VITÓRIA / LUCAS ROSA – PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE JUVENTUDE DA SERRA / RAMON MOREIRA – DIRETOR DE ARTICULAÇÃO DO DCE DA UFES / LUIZ GUSTAVO POTKUL – PRESIDENTE DA ATLÉTICA CENTRAL DA UFES / PEDRO BARCELOS – DIRETOR DO CENTRO ACADÊMICO DE MATEMÁTICA / FRANCISCO SIZINO – PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE VALPARAÍSO / WAGNER BAMBIRRA – DIRETOR DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DE BELA AURORA / SEBASTIÃO CÂNCIO – MOVIMENTO NEGRO DO ESPÍRITO SANTO / LUARA RAMOS – MARCHA DAS VADIAS - DIRETORA NACIONAL DO MOVIMENTO MUDANÇA / RAFAEL BREDA – SECRETÁRIO MUNICIPAL DA JUVENTUDE DO PT DE VITÓRIA / JACIMAR BOMFIM – ALUNA DE DIREITO DA UFES / TON LÚPES – CONSELHEIRO DO CONSELHO MUNICIPAL DE VITÓRIA / RANDELLEI BERNARDO LOPES – DIRETOR DO CAMAT / ALAN FARIAS – MOVIMENTO COMUNITÁRIO / ANASTACIO JUSTO – MOVIMENTO COMUNITÁRIO / DANIELE DOS SANTO – MOVIMENTO ESTUDANTIL / FELIPE LEÃO – ESTUDANTE DA FAESA / MARIA DAS GRAÇAS BREDA JUSTO – MOVIMENTO COMUNITÁRIO DE JOANA D'ARC / ROGERIO BREDA JUSTO – MOVIMENTO COMUNITÁRIO DE JOANA D'ARC / ROSANGELA TEIXEIRA DE ANDRADE – MOVIMENTO COMUNITÁRIO DO CENTRO DE VITÓRIA / VANESSA FOSSE – ESTUDANTE DE ECONOMIA / BRUNO LEÃO – GUARDA MUNICIPAL DA SERRA / EDUARDO CALLEGARI – MOVIMENTO COMUNITÁRIO DE CAMPO GRANDE / MICHEL KNAAK – MEMBRO DA JUVENTUDE DO PT / DOMÍCIO FAUSTINO – PRESIDENTE DO DCE DA NOVO MILÊNIO / JESSICA CONCEIÇÃO – ESTUDANTE DE BIOLOGIA E MEMBRO DO COLETIVO KAZA PRETA / NAYARA EVELYN SOUZA SOARES – ALUNA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL / MONIQUE CARDIN FASSARELA - COORDENADORA DE CULTURA DA JPT – ES / BARBARA GHIDETTI – ESTUDANTE DE DIREITO DA ESTÁCIO DE SÁ / FELIPE MOREIRA – JORNALISTA / ICARO CANIÇALI – ESTUDANTE DO IFES.


sábado, 10 de março de 2012

A Universidade do Século XXI em crise- Perspectivas

*Pedro Teixeira


É importante antes de entender a crise do modelo universitário que chegamos, [re]construir o momento histórico de organização da Universidade.

O processo de conhecimento é uma das situações mais instigantes da mente humana. Desde o início de nossa existência, sempre buscamos obter informações, seja para adaptação e sobrevivência ao meio ambiente hostil ou para receber e enviar comunicação para consequentemente poder ter uma compreensão maior do nosso meio.

Todavia na Grécia, com o aparecimento dos ideais de aprendizado discipulado, com uma formulação constante da reflexão em verdadeiras salas de aula, sejam abertas como com Sócrates e Aristóteles, seja em Academias como a precursora Academia em Atenas organizada por Platão, que a Universidade começa a se ingestar. 

O mundo humano-social com tais inovações, progrediu em raciocínio, reflexão, tecnologias e filosofia como nunca antes. Tanto é assim que os modelos gregos foram parar em Roma e expandiu-se por todo o Império Romano.

Mas é na Idade Média com o Fortalecimento da Igreja Cristã como soberana entre homem e Estado que para centralizar essa soberania e aumentar sua hegemonia, a Igreja começa a organizar de maneira sistemática, um contingente de escolas para o clero que a partir de Tomás de Aquino, começam a proliferar o pensamento Escolástico.

Longe de entrar em minúcias sobre a ideologia de tais modelos de conhecimento, é a partir deste período na história que a Universidade moderna começa a tomar forma.

O aprendizado realizado em conventos, mosteiros e igrejas se proliferou por toda a Europa e já em 1150 a Universidade de Bolonha nascia com fins de dar acessos “universais” a seu clero e pupilos de financiadores da Igreja. O Cristianismo de Roma ascendido através do pensamento escolástico do desapego material e da criação de diversos instrumentos de controle virtual da mente humana, refutando os ideais gregos de matéria e metafísica, criou  um modelo de conhecimento que originou a catalogação da educação de forma a sistematizar o aprendizado para prolifera-lo ao senso comum de acordo com seus interesses. 

O aprendizado organizado em locais sistematizados e a abertura da educação para demais atores que não compunham o clero, contribuíram para a perda do  controle de conhecimento da igreja e para um  resgate crítico protagonizado pelos ideais  Iluministas do conhecimento pela razão material e não pela escolástica metafísica, sem no entanto, alterar a "pedagogia" do aprendizado.

Inúmeros Nobres e Monarcas incomodados com a usurpação do poder soberano dos pseudos-Estados em organização recente, resolveram organizar pensamentos culturais de disseminação de seus ideais frente ao controle político da religião na sociedade. Nasceram assim as Universidades de Sourbonne, Oxford, Milão e outras menores por toda a Europa.

A incessante necessidade dos Estados nacionais em desenvolver novas invenções e soluções para o mundo mercantilista burguês posterior, provocaram uma série de novas descobertas com relação a maneira de cognição e conhecimento humano. Surgiram  a lógica, a linguística, o pensamento sistemático e o processo mecânico.

Surgia-se com Descartes o racionalismo cientifico, o controle da Natureza através de conjuntos matemáticos que posteriormente pelas ideias de Locke e Hume, poderiam sob qualquer prisma, serem comprovados empiricamente.

Mas é em Newton que o mundo moderno e nossa concepção de Universidade moderna encontram seu maior expoente. Ao conceber o planeta como um conjunto de leis naturais universais,  Newton entendia a ciência como ferramenta para descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.

Neste momento a natureza humanista até então resistente mesmo após Idade Média, começou a dar lado para o positivismo lógico. O mundo natural de reflexão do homem em relação a si e sua natureza transcendental e material desenvolveu uma ruptura. O olhar para o todo, para a crítica natural, foi erroneamente taxado somente como religioso, irracional e aprisionador.

Dessa forma, ascendeu-se o pensamento da natureza-máquina onde qualquer acontecimento natural poderia se tornar matematicamente mecânico e reproduzível. O homem que até então desenvolvia seu conhecimento com vista na sua relação com o espaço-tempo e a natureza livre, começou a querer controlar o espaço tempo  e artificializa-lo em invenções de controle.

Em toda a história humana tivemos a vontade de reproduzir atividades naturais tais como voar como pássaros, “navegar” como peixes, caçar como os animais, se comunicar em massa como os morcegos e seus radares, os sonares marinhos e tantas outras qualidades naturais que cada animal desenvolvia em relação a natureza e que a própria natureza possui para sobreviver. 

Entretanto, com a redução do mundo natural ao mundo-máquina, o homem transmutou a ideia de criação, seletividade e reprodução natural para métodos de controle pré-definidos em que tudo ou boa parte, pode ser reproduzido mecanicamente.

Tais preceitos alavancaram a concepção liberal de constituição política e de desenvolvimento econômico, abrindo espaço para o mundo capitalista moderno. Com o neoliberalismo pós-crise do petróleo e sua exportação em massa protagonizada pelo consenso de Washington, a educação mundial deixou de se tornar um serviço essencial do Estado que a financiava, para se tornar um modelo financiado pelo capital privado, haja vista que o Estado deveria intervir minimamente.

Assim, expandimos como nunca antes as Universidades operacionais (Marilena Chauí, 2003) aquelas que se desenvolvem sob a ótica do consumo, da mera reprodução mecânica sem formação crítica, e para reserva de mercado. 

Ao reproduzir o mundo mecanicamente, a Universidade começou a desenvolver conhecimento com base no controle da informação e em direcionar pesquisas apenas para administrar o sistema vigente desenvolvendo soluções pontuais provocados pelo desfoque localizado da “especialização” cientifica.


A Universidade portanto, se tornou uma organização de adaptação social, de reprodução dum sistema líquido volátil, em movimento onde quem detém o conhecimento prévio da volatilidade, detém poder. Ao aprofundar esse modelo de educação, a Universidade ajudou também a proliferar a sociedade das incertezas, onde o motor da história ultra veloz transforma as incertezas em inseguranças.

Como se sabe, a insegurança causa paralisia, medo, estagnação. Ao promover a liquidez social e as incertezas das mudanças a todo instante, a Universidade perdeu seu papel de crítica e de afastamento da realidade vigente e já não consegue conceber seu papel democrático e plural como forma de conservar a crítica constantes a todos movimentos e a propor soluções universais alternativas novamente.

Ao invocar soluções mais pontuais e desfocadas, a Universidade contribui para o afastamento cada vez mais intenso da integração entre as ciências para a formulação de um plano completo.

É nesse cenário que o movimento Estudantil Nasce no Brasil. A década de 1960, sem dúvida serviu para a formulação de crítica ao modelo político adotado e foi substancial o papel de estudantes, intelectuais e acadêmicos da Universidade para esse movimento crítico.

Entretanto em nenhum momento a luta pela democratização política e do acesso ao conhecimento na realidade brasileira com a expansão da Universidade Pública para todo o Brasil e a defesa de uma educação gratuita que desde a ditadura, Darcy Ribeiro muito protagonizou, não serviu para garantir um ambiente acadêmico democrático e plural em que de fato as variadas matrizes ideológicas e sociais circulem livremente por nossos campi.

Pelo contrário, a proliferação das Universidades, vem reproduzindo cotidianamente a concentração de novos feudos sociais onde temos um contingente de suseranos e um número pequenino de Senhores que,  sejam em seus espaços acadêmicos, seja nos espaços administrativos, seja na manutenção de um poder fictício em entidades aparelhadas do movimento estudantil, atrasam um projeto de construção alternativo e de reavivamento da Universidade enquanto ferramenta social de crítica a modelos erroneamente postos e na construção de estratégias de desenvolvimento que solucionem os novos paradigmas que o capitalismo global do consumo ocasionou. 

Num mundo complexo do século XXI, em que o capitalismo atingiu seus mais extremados índices de implementação mundial, negar a necessidade de soluções coletivas em que a síntese dialética entre várias opiniões é condição sine qua non para o avanço de um modelo altermundista para um sistema em crise, é manter um modelo falido que apenas perpetuará lideranças administrativas do sistema que não irão apesar de possíveis discursos "raivosos", democratizar conhecimento e transformar o modelo anti-social vigente.

Ao proclamar-se a vanguarda social da Universidade, com respostas dogmáticas e unilaterais, a esquerda da Universidade em crise moderna, não consegue dialogar com o gigante contingente de novos atores incluídos, como a nova classe média brasileira que pelo meteórico acesso ao consumo, chega à Universidade reproduzindo conceitos e ideias do senso comum em que o patrimonialismo, o patriarcalismo, o neoliberalismo e as ideias separatistas protagonizada pela sociedade do consumo individual promovem.

O gigante contingente que teve acesso ao ensino superior nos últimos tempos, além de terminar seus anos de estudo apenas com o conhecimento técnico mecânico, sai da Universidade em sua maioria, sem aprender que tem direito à participação política, a intervenção social e a refletir criticamente os conceitos “[i]mutáveis” que a sociedade nos impõe.
  
O movimento Estudantil portanto, longe de separatismos ideológicos e de buscas por verdades absolutas na Era das incertezas, deve ter a sensibilidade ajustável de uma estratégia democrática e plural de participação social, de democratização de suas instâncias de deliberação, de se conectar com a virtualização massificada que a sociedade do “tempo real” nos impõe e se reinventar.

O movimento estudantil precisa se conectar com as novas juventudes que estão surgindo – as juventudes do terceiro setor, as juventudes dos PET’s, dos clubes do livro, do movimento festeiro e/ou de todo nicho e segmento que historicamente é desprestigiado pela “intelectualidade” cultural da esquerda que por conta disso, tem diminuído cada vez mais.

Na década do milênio, com o Sistema-mundo em crise, as receitas econômicas neoliberais sem soluções e com o Brasil desenvolvendo seu ideário de desenvolvimento e Estado-Nação num contexto latino-americano integrador, é fundamental para a Universidade e seus atores políticos começarem a se indagar onde vão querer sentar nesse trem-bala gigantesco e global que os Estados Nacionais se inseriram através do sistema econômico e que só poderá ser alterado de maneira conjunta com todos aqueles que os desenvolvem.


*Militante do Movimento Mudança e gestão @conectaufes do DCE-UFES

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

China e o novo centro dinâmico

Por Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 23/02/2012 na Revista Fórum 105

O sucesso do milagre econômico chinês apresentou ao mundo uma novidade quase não imaginada frente à inconteste hegemonia estadunidense. Seja na evolução do comércio externo ou na presença crescente dos investimentos externos, a China se posiciona de forma cada vez mais sólida como eixo integrador da dinâmica mundial.

Antes da crise do capitalismo global, a economia estadunidense apresentava sinais de certa decadência frente ao seu esvaziamento produtivo e da relativa perda de importância do dólar. Mas, a partir de 2008, a perda de influência norte-americana tornou-se cada vez mais evidente, sobretudo quando se considera o sucesso transformista chinês.

Para piorar, os Estados Unidos passam a apresentar sinais crescentes de subdesenvolvimento, como no caso da concentração de renda. Nas últimas três décadas, por exemplo, o segmento constituído pela faixa do 1% mais rico da população teve a sua renda aumentada em 256%, enquanto o rendimento dos pobres subiu somente 11%. Como resultado disso, os EUA voltaram a deter um padrão de desigualdade de renda somente verificado antes da Depressão de 1929.

Diante do descenso estadunidense e do auge chinês, os governos têm a oportunidade de rever estrategicamente o posicionamento de suas economias. 

Do contrário, a trajetória das relações comerciais e de investimento com a China tende cada vez mais a aprofundar as características históricas já notabilizadas, especialmente durante a antiga ordem internacional estabelecida a partir da Inglaterra. Como a China atual, o Reino Unido dependia fortemente de produtos primários, enquanto se mantinha como forte produtor e exportador de produtos manufaturados. Ou seja, dava-se o estabelecimento de uma convergência internacional para a produção e exportação de produtos primários e simultânea dependência da dinâmica local à internacionalização dos seus parques produtivos segundo a lógica inglesa.

Em geral, a China passa a deter não somente relações comerciais como presença de investimento superiores às dos EUA. Por meio da globalização financeira, não obstante os sinais de certo esvaziamento do seu papel monetário (fim do padrão ouro-dólar nos anos 1970) e de enfraquecimento relativo de sua produção e difusão tecnológica, os Estados Unidos se transformavam praticamente num império unipolar. Tanto assim que prevaleceu a concepção de pensamento único e visão de fim da História, com predomínio da democracia liberal e do livre mercado.

Nos dias de hoje, com o esgotamento do movimento de globalização financeira, registrado por várias crises de dimensão internacional, o milagre chinês ascendeu rapidamente. Assim, a expansão da economia do país possibilitou que em apenas dez anos a sua produção fosse triplicada, contrastando com a realidade estadunidense. Somente entre 1999 e 2010, por exemplo, a variação acumulada do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos foi equivalente a apenas 1/8 da verificada na China.

No mesmo sentido, o país asiático responde cada vez mais por uma maior parcela da produção de manufaturados do mundo; em 2009, representou 18% do valor agregado industrial mundial. A participação chinesa no valor adicionado mundial na indústria de transformação de alta tecnologia também saltou de 4%, em 2000, para 18%, em 2009. Atualmente, a China assume a condição de segunda nação mais importante na produção de material de escritório e informática do mundo, na produção de material de rádio, TV e comunicação, e a primeira na produção de veículos automotores e nos investimentos na indústria aeroespacial, de supercomputadores e de núcleos eletrônicos, entre outras posições estratégicas mundiais.

Por conta disso, a China deve ultrapassar a posição dos EUA durante a segunda década do século XXI, embora isso não signifique necessariamente o desaparecimento das centralidades dinâmicas das economias pertencentes à União Europeia e aos Estados Unidos, mas o que se destaca é o aparecimento de um mundo multipolar. Além da Ásia – especialmente a China e Índia – há um espaço regional capaz de gerar uma nova centralidade dinâmica no sul do continente americano, com forte importância para a economia brasileira.

Em síntese, o Brasil passa a ter maior relevância num novo contexto mundial multipolarizado, bem distinto daquele verificado durante o momento de sua constituição, em que os Estados Unidos exerciam uma centralidade unipolar. Mas o seu reposicionamento deve partir de um olhar de mais longo prazo, uma vez que as alternativas estão postas. O deslocamento do centro dinâmico estabelece oportunidades inequívocas de reforço da pujança econômica brasileira. Mas isso pode ocorrer tanto pelo lado da Fazenda, Mineração e Maquiladora dos Produtos Manufaturados (FAMA), como pela via do encadeamento dos sistemas produtivos a partir de maior agregação do Valor Agregado e Conhecimento (VACO).

As alternativas estão postas, com a China presente no novo centro dinâmico mundial. Ao Brasil, cabe uma decisão clara e objetiva em torno do papel que deseja desempenhar neste novo contexto internacional.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A ilusão do mundo "escravo" moderno

Vamos recapitular algumas coisas:
- Os 1% mais ricos, decidem em seu fórum de Davos ou em organismos internacionais como o Banco Mundial, para onde, como e de que forma toda a riqueza concentrada e a ser explorada vai ser consumida.
- Os 99% restantes, ao achar que é assim mesmo, que a terra tem dono, que o negócio é trabalhar e consumir, aceitam tranquilamente e seguem a sua escravidão moderna.
Como consolo, possuem a ligeira impressão de que no voto, poderão de fato escolher seus representantes para gerenciar ao menos a maior riqueza – seu País.
Enganam-se ao achar que democracia é a liberal. Acabam apenas se abnegando do direito de decidir.
Todavia, esse sistema se mantém pelo medo. Medo do desemprego, medo de não ter dinheiro e medo de não saber decidir.
Na sociedade moderna, inventam esse tal desemprego pra mostrar que o emprego além de uma dádiva, é fundamental e sempre existiu.
Inventam esse tal dinheiro pra justificar trabalho. Assim, somos escravos modernos. Trabalhamos para receber o dinheiro que vai pagar nosso crédito. Trabalhamos não por ser realizados mas para consumir.
Ao inverter valores e reduzir os naturais aos sintéticos, transformamos o mundo num grande monstro consumível.  Desde os sentimentos, angústias e felicidade, até a água.
Entretanto o mais ousado é a mercantilização da humanidade. Mulher vira puta ou animal. Negro vira mão de obra-barata, o ser humano tem um preço.
A base do sistema se torna o consumo. A obrigatoriedade, o lucro.
Num momento de crise estrutural, tais princípios base do sistema, precisam ser relativizados.
Precisamos “desmaquinar” as relações, deixar de produzir em grande escala, humanizar as relações, propor um novo grande pacto para uma alternativa ao que está posto.
Para a própria sobrevivência das relações sociais, econômicas e produtivas, já que o capitalismo mostra seus limites em termos especulativos e produtivos.
É preciso que o ser humano decida se vai querer um constante crescimento ou a manutenção de um bem viver. Entendendo bem viver como algo estável, distributivo, inclusivo e democrático.
Dessa forma, proponho o fim do objetivo principal – acumular.
Ao entender a humanidade moderna como o fim da história, ou a consequência do desenvolvimento, achamos que não há outra saída, que o homem sempre foi assim e que esse é o único meio de se viver.
Esquecemos que no mundo moderno, nossas ações são realizadas de acordo com as construções mentais e definições ideológicas antinaturais.
Tudo para não trazer a tona o verdadeiro mito, o fetichismo do trabalho necessário, do consumo como meio e da democracia liberal como único jeito. O mito dos bilhões de escravos que seguem pasteurizados e “ocupados” com todas as “invenções” lixo do mundo moderno.
Assim como o mundo de hoje, fora construído a cerca de 300 anos atrás nas revoluções políticas, industriais e econômicas, podemos neste século, apontar o mundo que queremos para nossas próximas gerações.
Um mundo com estabilidade produtiva, com durabilidade tecnológica e com distribuição das grandes acumulações privadas.
Infelizmente não conseguimos avançar para além do paradigma da propriedade absoluta e do Estado centralizador. Continuar sem desconstruir esse mito é fadar nossa humanidade ao fracasso.
 Pedro Teixeira