sábado, 20 de fevereiro de 2010

O aborto. Visto como o Estado tem que ver.

Gostaria de compartilhar com os leitores do blog, o e-mail escrito por mim aos companheiros da Juventude do PT no Espírito Santo no debate que fizemos online.

Acho importante não misturarmos a posição que um Estado tem que tomar com nossas convicções pessoais.


Companheiros(as)


Gostaria de externar meu posicionamento quanto ao aborto. Sinto ter sido um pouco tarde.


Em primeiro lugar, é contra por quê? as pessoas tem uma enorme dificuldade para descutir e perguntar os porquês das coisas.

A igreja Católica é contra o aborto pois cada filho no mundo é um católico a mais para sua multidão de fiéis que a cada dia que passa diminui. Da mesma forma que a Universal é a favor em muitos casos pois, é uma cabeça a menos pra dividir as ofertas de seus fiéis. Pobre com muito filho não tem dinheiro pra dar, tem que comprar leite.

Infelizmente esta é a posição da alta cúpula. Não oficial é claro. Igreja é a base do capitalismo gente, em suas reuniões biscopais, as coisas são decididas em cálculos não em fantasias religiosas pois estas, de fato eles nem acreditam pois sabem que foram eles quem montaram essa farsa e fábula que é a bíblia em seu concílio da Basiléia, e os protestantes só continuaram com esta farsa por que era viável.

Não há como, biologicamente falando, ver em um ponto, principalmente no primeiro mês, como uma vida.

Aliás, o código penal só criminaliza o aborto, por que a CF garante o direito da inviolabilidade da vida. O problema todo está no fato de a doutrina, não enxergar o feto como um cidadão do Estado este, só se torna após o nascimento, mas não ter chegado num nível de conclusão final de onde a vida começa.

Acredito que esse ponto é um ponto de discussão perpétuo, por quê nossa contituição em seu art. 5º garante "aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida..." mas a jurisprudência, não conseguiu estabeleçer onde esta vida começa. A Igreja defende que seja a partir da fecundação, Biólogos, apartir do sistema nervoso, A lei, o nascimento.

Por conta deste ponto dúbio, qualquer liberação ou descriminalização do aborto, só virá por PEC onde se definirá onde começa a vida no Estado Brasileiro e dali em diante, as medidas tomadas em relação ao aborto.


Passando este adendo, é saudável lembrar que muitos padres possuem filhos clandestinos e obrigam o aborto das mulheres "violadas" por eles. Pura demagogia. a Igreja da Idade média com seus papas como Leão I e muitos outros, utilizavam a Basílica de São Pedro para constantes orgias com mulheres, homens e inclusive mulheres casadas e crianças, onde quando se era reclamada a honra destas, na mesma hora o homem era enforcado, morto. Abortos eram constantes, como afirma J. Cabral em A Igreja que Veio de Roma.

Sendo assim, é muito estranho e hipócrita hoje, onde a bola da vez para se segurar fiéis seja a paz, o padre bonzinho e o conservadorismo, milagrosamente, a igreja ser contra.

Quem reproduz este discurso, na verdade precisa se perguntar se realmente o faz conscientemente ou se apenas o reproduz, como um mero papagaio.

O grande problema é que como diz o ditado: "Pimenta nos olhos dos outros é refresco". Gostaria de saber se algum ser humano sem condições, pobre, com um futuro pela frente (ou não) e que teve a desgraça de engravidar alguém ou estar grávida, e seja contra o aborto, não abortaria... Aliás, mesmo um que não seja nada disso e apenas não queira o futuro filho, mas seja fiel a "Deus", não o faria.

Conheço casos típicos de universitárias católicas roxas, mas que quando estiveram nesta situação não pensaram duas vezes.

Com tantos problemas de saúde pública, com a sociedade putrefando e o mundo a desgraça que está, é desumano querer obrigar alguém que nada é, ainda, apareçer aqui na terra e deixar as coisas ainda piores (pensando como o Estado deveria pensar).


Em segundo lugar, O objetivo fundamental de qualquer Estado, não é o de interferir na decisão íntima de cada ser humano, avançamos para positivar os direitos fundamentais.

O objetivo é garantir o convívio harmônico de todos.

É bem verdade que para os contratualistas (Locke, Hobbes, Montesquieu), o objetivo principal é garantir a vida mas, garantir a vida de quem já é súdito do Estado, e não de quem subjetivamente virá a ter qualquer laço jurídico com ele.

O Estado, TEM QUE SER NEUTRO, ele não é formador de opinião, ele não decide sobre o direito privado, ele não tira minha liberdade de escolha (isso no vácuo como os físicos diriam, ou seja, hipotéticamente ou num Estado perfeito).


Quanto a Igreja (qualquer uma delas), teria que se colocar no seu lugar de igreja, ou seja, de instituição que preza pela suposta comunhão do HOMEM com Deus, e sua busca constante pelo perdão, não em se meter na República e querer fazer de sua opinião a única juridicamente correta.

Daqui a pouco, estaremos retrocedento e suspendendo todos os avanços individuais que o Estado apoiou, por mero capricho religioso, por a igreja acreditar que não é de "Deus".

Esta, se tem um papel, é o de se concentrar na esfera do individual, do bem estar do homem com "Deus" e não da sociedade inteira com Deus, isto vai além de suas alçadas e remonta o período em que Estado e igreja se confundiam.

Fazer isso é muito caro e injusto para com todos aqueles que morreram na história por acreditar que todos teriam o direito de decidir o que querem pra si, inclusive o direito de reunião religiosa e principalmente o direito de decidir quando e como ter a sua descendência, direitos estes, defendidos pelo PT e por todos os que sofreram e/ou morreram na ditadura para que fossem positivados.


Por isso meus caros, acho que a igreja tem que se recolher na sua ignómia de coerção individual a Deus,isso se o homem assim permitir e querer, mas não pode querer que seus anceios e aspirações supostamente religiosos e "sagrados" sejam a opinião do Estado. Este, deve se manter perpetuamente distante de qualquer foco que não seja o da ciência e do bem estar comum, da maioria.

Se o aborto, interfere neste bem estar,quando milhões de cidadãos de direito e não de expectativa, são mortos por ineficiencia do próprio Estado, então, é mister que ele intervenha e reveja a maneira coercitiva que ele está levando o aborto. Assim, ele estará cumprindo com o seu papel - o de defender seus cidadãos de fato, aqueles que ele já possui vinculo jurídico, doa a quem doer.

As pessoas; aliás, as instituições do atraso, e que fazem parte fortemente da elite podre deste país, tem que aprender que o Estado, não é instrumento de barganha, de clientelismo e patrimonialismo, nem muito menos de benefício próprio.

Ele é de manutenção da liberdade de seus súditos, e estes por sua vez não tem como, só o são, após o nascimento pois o Estado é terreno, não é metafísico para acreditar em vida antes do nascimento (ou depois dele) ele precisa se ater ao palpável.

Por isso a incoerência.

Descriminalizar o aborto e legalizá-lo, não pertençe ao metafísico e ao que cada um acha certo ou errado. Fazer o aborto ou não, tem que ser escolha própria, onde cada um apartir de suas crenças e convicções morais, religiosas, éticas, etc, irá decidir por querer ou não o aborto, cabendo ao Estado garantir os meios para que esta escolha se efetive e com segurança ao seu súdito (objetivo principal de sua existência), não cerceando esta liberdade, tão defendida por nossos ancestrais.


Saudações socialistas amigas e amigos.


Pedro Andrade

domingo, 24 de janeiro de 2010

A moral e seu sentimento, o costume (Eu e meu amigo Nietzsche).

Uma amiga da Psicologia me emprestou um livro do nosso filólogo Friedrich Nietzsche.
Confesso estar feliz pois achei alguém que contempla os mesmos pensamentos que os meus sobre a moral....
O engraçado é que nosso amigo é do século XIX, um pequeno detalhe...

Seja como for, fica claro que a moral, nada mais é do que a obediência aos costumes e isso se dá em todos os âmbitos de nossa vida e sociedade.

O ser humano, é, como disse nosso amigo Locke ( que eu descordo em pequenos aspectos) uma tábula rasa, alguém que ao nascer, não tem opinião formada nem costumes pré-estabelecidos a seguir.

É a sociedade, O HOMEM (é ele quem quero ressaltar) quem ordena através de seus ritos, a este recém nascido os costumes a ser seguidos pelos homens de moral.

É bom sim que o homem tenha freios afinal, somos todos homens de paixões como o próprio Hobbes já assinalava a dois séculos atrás, e estas precisam ser controladas para que possamos viver em sociedade sem invadir e destruir o espaço do outro, o que na maioria das vezes fazemos já que a crueldade, ainda que impensada é uma forma de demonstração de poder e todos, gostamos dele.
Agora, preestabelecer (nova ortografia okay?) obrigações vinculantes aos homens, sob pena de castigo (seja ele por autoridade divina ou humana) e com o preceito do homem "bom" e moralista, aquele correto para a sociedade, é muito ruim.

1. Ruim por que limita o campo de atuação do ser humano e o padroniza no meio de bilhões que hoje existem no planeta;
2. Ruim porque castiga o homem e o tortura quando ele comete algo que para a sociedade em que está inserido é "imoral", martirizando-o.
3. Por fim, é ruim porque nos faz acreditar que o verdadeiro motivo para fazer aquilo que é moral ou seja, para cumprir os ritos da sociedade são os já preestabelecidos pelos costumes da sociedade em que se está inserido. Dessa forma, não usamos nossa racionalidade, o ato de pensar, pois já existem respostas para aquele tema, respostas estabelecidas por seu grupo, seja ele político, religioso, educacional, etc...

Para exemplificar, podemos colocar como exemplo a seguinte máxima cristã e de caráter moral:

"Deves não fazer sexo antes do casamento, se não, estará cometendo pecado e o pecador irá para o inferno"

Dessa forma, (1) quem obedeçe o rito, obedeçe porque ele é cristão e todos os cristãos não podem fazer sexo antes do casamento, (2) se por ventura ele desobedecer, comete pecado e fica se auto-flagelando, se sentindo culpado por ser um imoral trangressor, enganar a igreja que participa e ser um pecador que Deus punirá com o inferno e por fim, (3) não pensa de outra forma nem procura outra explicação do por quê de fazer ou não sexo antes do casamento se não, a de que Deus não quer nem a igreja e isso é pecado, errado e imoral pois já definiram assim,é isso, é o certo.

Dessa forma, não pretendo seguir a moral, não pretendo ser mais um na multidão, ser um cristão, católico, espírita, gay, heterosexual, esquerdista, direitista, pelego, radical ou qualquer outra forma de tachatismo social, eu quero mais é a revolução, a loucura, o que muda, o que transforma.

Não podemos avançar se todos obedecerem essa moral, esses ritos costumeiros de dominação social, de controle de massas, de apreensão de conhecimentos, é preciso o louco, o radical, o gay, o ateu, o agnóstico, a travesti, o esquerdista e o direitista radical...
É preciso alguém que peça 100 coisas para pelo menos 10 serem conquistadas, é preciso quem desmistifique o poder oculto da religião, da enganação pela punição divina, pelo castigo para os imorais...

Só dessa forma, poderemos avançar, poderemos desmestificar e descentralizar o poder das mãos das elites, seja o poder cultural de quem nem faz a cultura, o poder político de quem usa a política para vantagens pessoais, o poder religioso das mãos de quem nem pratica o que prega e sabe que tudo não passa de um concenso para controlar massas, mais precisamente um concílio, o de Nicéia, ou qualquer outro poder que não está sendo usado para o bem-estar das pessoas, de quem precisa só que está preocupado apenas em seguir a moral, em ser mais um, seja por desconhecimento ou por comidade.

Peço, aos que leem, que decidam quem querem ser, um ser bom, "moral" mas mais um na multidão e que nada contribui para o seu entorno a não ser repetir o que todo mundo diz, ou o "imoral", o "rebelde" o "louco", mas que contribui, que torna as coisas diferentes, que pensa e não aceita a opressão e domínio de uma maioria escrota e ignómica?

make your joice...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Se os tubarões fossem homens...

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos
Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .
Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Bertold Brecht

domingo, 17 de janeiro de 2010

Outpourings... yeah he is.

i'm alone....

Meus caros colegas de áudio tem sido os únicos nobres ainda neste barco...

Acho que já não há barco... Talvez o esqueleto do que foi outrora...

Talvez um remédio antimonotomia resolva mas, qual é?

A vida tá uma droga... fuck that...

What to do? i don't know...

I fell lost...

I need someting new, it's urgency...

I'm alone... and, there nothing to do...

My vacation is like a cheat... yeah, a big cheat... my friends? so, is RadioHead? because i'm alone... lost...

Thanks my darling, thanks for to life... a fucking life vacation.

Por hoje, basta o desabafo e a vontade de sentir algo novo...

So, i think that i go to begin french... what do uo think Doc Watson?

Is a good idiom...

Thanks for uo listening...




Pedro Luiz

sábado, 16 de janeiro de 2010

Lembranças dos embalos de sexta anoite...

Resolvi cair no conto da hipocresia...

Falei sobre o ser ZUMBI e o Ser HUMANO em um post passado e acho que acabei tendo uma experiência muito próxima do tal zumbi.

Não que seja a mesma coisa afinal, não tenho na madrugada meu fôlego de vida, apenas sai para me divertir como qualquer SER HUMANO...

Mesmo assim, serviu para dar longas gargalhadas lembrando disso e da noite que passou.

Precisava ir até a cerveja mais próxima ontem. Decide que não era o lugar mais próximo de encontrá-la mas o melhor para a noite. A avenida Anísio Fernandes Coelho, vulgo Rua da Lama, é um excelente lugar para jogar conversa fora, beber e ver gente imitando as vestimentas de seres estranhos como Lady Gaga.

Após várias cervejas, descobri que estáva com mais álcool no sangue que o permitido para um batalhão de motoristas prestes a fazer o exame de alcoolemia.

Quando percebi, ja estava dentro de um carro sendo sequestrado por pessoas e levado para uma danceteria...
Com direito até de dormir em um sofazinho local...

Acho que devo ter recebido o espírito do pai preto que incorpora sempre num amigo meu pois ele mesmo estava ótímo...

Seja como for, valeu por uma noite.

Ser humano ou Ser Zumbi? eis a questão meu caros...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Meu caro little dick...

Diário de bordo, 13 de janeiro de 2010 - 20:45?

Ah...., pelo menos uma boa notícia!
pareçe que UFF é oficial. será que com um 10p na redação e 8p na prova de história da para passar? espero que sim...

No mais, neste velho mundo tudo está na mesma...

O árduo trabalho que esgota todas as minhas energias com o trabalho mecânico massivo,
o estado pré-placebo que me encontro aliado a minha vida deprimente que se encontra...

Espero que as coisas começem a mudar!
finalmente uma boa notícia meu caro little dick...

O barco acho que agora começa a ser salvo...

Quem sabe ares cariocas não me façam bem? quem sabe....


Pedro Luiz

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Carta ao Doutor Watson

Caro Dr. Watson;



Me sinto sem as mãos. Talvez sem os pés, mas minha cabeça voa... voa como nunca.
Sinto que nada é suficiente. Nada se encaixa. Não sei, tudo ultimamente tem se tornado como um enorme quebra-cabeça onde por mais que se tente, nunca consigo terminá-lo, há sempre uma peça... Aquela peça que está faltando...
Ah, como dói... e não falo de alguém, me refiro à algo.

As mãos, Estão aqui. Eu as vejo. O problema é que me escapam... Sim, as coisas me escapam.
Já não sou mais o mesmo. Não mais agarro, não mais sinto...

Os pés? sim, os sinto... O problema é a encruzilhada que me encontro... já não me obedecem.
Não sabem para onde ir, não sabem onde pisar...

E, talvez o senhor me pergunte e seu coração meu amigo, como ele está?
Não sei Doutor, ele bate... bate... bate...
Mas é como algo oco, vazio por dentro sabe como é? como as cordas de um violão tocando no enorme vazio de suas entranhas ocas. Só madeira...

Assim que me sinto, só o corpo.

Isso é sintoma pré-depressão? uma nova crise de identidade? você estava lá! 
Sim, na primeira crise, me acompanhou. 
Achei que era só uma que tínhamos...
E agora o que fazer? 
A felicidade meu caro, está tão artificial, tão momentânea, infeliz.
Não que sinta falta de outrora...
Não! uma volta é improvável para mim.

O que sinto é uma falta de vontade do que fazer, um motivo, um alguém.

Lembra do violão Doutor? falta o som... o som... o som...
É ele quem dá o motivo de existir para o instrumento, é ele o motivo da extasia, do encontro, do ranger das cordas, do atrito da mão e madeira...

Precisava disso...
Lembra daquele filme, um em que tudo era colorido, belo, eterno... E, derrepente perde-se a cor, esmureçe-se deixa de ter sentido e fica sem graça, em tons de cinza? como era o nome dele mesmo meu amigo? Não faz mal, lembro-me muito bem...

Há cura? tratamento? ajuda ou será só o tempo?

Quem pode dizer Doutor? você? Eu? não, só o som, aquele do violão, o motivo existir...
Só assim tudo isso terá fim e o meu mundo voltará...
Sim meu caro, aquele mundo você lembra? você esteve comigo, sei que há algum tempo.
Mas ele não era assim, havia cores, havia sentidos, cheiros, gostos, amor!

Sabe o que me alegra Doutor? é, ainda que só com você, poder contar.
Sei que não há respostas, só ouvidos... não tem problema, pelo menos você me ouve...
Pelo menos você me sente, entende.
Não o vejo, não o sinto, não o percebo. Mesmo assim, isso me consola...

Ainda que sinta que o mundo me esqueceu, ainda que só cheire o mau-odor da malícia e da maldade, ainda que só veja o escuro, o partido, o impuro, ainda que só sinta a dor e não o calor...
Mesmo assim, é bom saber que vai mudar. Já mudei outras vezes não foi?
Deu certo não deu? Que bom...

Assim fico mais tranqüilo e espero você voltar. 
Espero o mundo voltar.

Espero de braços abertos... Sei que vai voltar melhor, sei que agora será diferente.
Não o mesmo mundo. um mundo diferente, um melhor...
Um que me entenda, um incondicional...
Que valorize o carinho, ele é tão difícil não é? um que provoque a odisséia de sentimentos que nos faz tão feliz!

Obrigado Doutor, amigo, meu caro. 
Aguardo uma visita...



Pedro Luiz