sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um pouco mais sobre democracia e cidadania

Transcrevo o texto publicado no blog de uma grande amiga, inteligente, futura advogada e extremamente humana. Por termos algumas visões antropo-filosóficas parecidas, publico este, Baseado no livro de estudo Cidadania no Brasil: O longo caminho, de José Murilo de Carvalho.




O conceito de cidadania vinculou-se, ao longo de mais de dois mil e quinhentos anos de história, com as mudanças nas estruturas sociais. E até hoje é difícil reconhecer a cidadania plena na sociedade. Existe sim, muitos cidadãos incompletos, usufruindo-se parcialmente de seus direitos. A cidadania abrange os direitos civis, políticos e sociais. São várias dimensões que resultam na complexa construção democrática. 

Existem muitos empecilhos nesse processo, mas desenvolver visão própria do problema é exercer sua cidadania.


Os direitos sociais permite às sociedades politicamente organizadas reduzir os excessos de desigualdade produzidos pelo capitalismo e garantir um mínimo bem-estar social para todos.

O capitalismo liberal altera o direito do cidadão para o direito do consumo, em que "A cultura do consumo dificulta o desatamento do nó que torna tão lenta a marcha da cidadania entre nós, qual seja a incapacidade do sistema representativo de produzir resultados que impliquem a redução da desigualdade e o fim da divisão dos brasileiros em renda, educação, cor..."

A persistência da desigualdade é dos maiores problemas para a consolidação da essência cidadã no Brasil, um princípio que se baseia em que todos devem ser iguais. Caso contrário, direitos desiguais representaram privilégios para uns e desfavorecimento para outros. É necessário, então, focar na coletividade e não apenas em determinados grupos sociais para concretizar as ações cidadãs e democráticas.

Há quem diga "a democracia em que vivemos é uma hipocrisia" pois é preciso de um sistema que não exile o povo da política, de reformas políticas que realmente façam do povo um mecanismo de decisão e não um mero espectador do que a classe dominante faz. 

Como diria José Bonifácio, muitas ações promovidas eleitoralmente são um erro de sintaxe política, pois criava um oração política sem sujeito, um sistema representativo sem povo.

O maior objetivo cidadão é construir uma unidade popular ativa. Os movimentos representativos ainda são muito direcionados por correntes ideológicas.
E a democracia e a cidadania deveriam ser independente de correntes ideológicas. Ou de modelos vigantes. O modelo neoliberal não é o mais adequado em muitas situações mas as experiências socialistas também estiveram muito aquém do que se idealizava.

No Brasil, ocorre o esvaziamento do papel dos partidos e do congresso, o que é sim desmoralizador para a democracia brasileira, mas, isso não deveria ser considerado uma desmotivação, e sim, deveria incitar uma postura que requeira mudanças nesse quadro político.

Em nossa mais atual Constituição brasileira, a "Constituição Cidadã" - que até então é a mais liberal e democrática que o país já teve - ocorre uma amplitude dos direitos políticos (após o fim da ditadura, em prol de uma estabilidade da democracia), e entretanto, os direitos sociais ficam na incerteza visto a abrangência da desigualdade, do desemprego e de outras carências como saúde e educação. Também há uma falta de garantia dos direitos civis, visto que segurança, integridade física e acesso à justiça não são assegurados a todos.

É importante ressaltar também que, além de direitos, o cidadão deve estar atento que possui deveres.

O cidadão brasileiro, precisa sair da 'cidadania em negativo', e, mesmo em uma sensação desconfortável e de implenitude, com postura perplexa e repleta de apenas doces esperanças, precisa saber lidar com as frustrações atuais e visualizar perspectivas positivas, criando condições de mudanças para um Brasil cada vez melhor no âmbito social-democrático. Os progressos são inegáveis, mas lentos. Um caminho próspero da cidadania garante a eficácia da democracia.

In every community, there is work to be done. In every nation, there are wounds to to heal. In every heart, there is the power to do it.

Momento a parte, para interelacionar conhecimentos: assista a uma visão holística sobre democracia neste vídeo. 

Considero interessantes as analogias, criando uma ligação plena entre ciência e conceitos político-sociais. De alguma maneira me recorda o livro "Ciência e política: duas vocações", de Max Weber, em que ele mostra pontos de tangência e divergência entre o cientista e o político.


Agatha Brandão

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Direito moderno, sua crise institucional e a busca por sua efetivação no século XXI.


Entre todos os textos lidos e apresentados em sala, não posso deixar de falar de Boaventura de Souza Santos. Em “A crítica de uma razão indolente – Para uma concepção pós-moderna do direito”, Boaventura propõe um modelo de alternativa à crise de paradigma do Direito. Uma abordagem científica e metodológica de saída ao modus operanti do Direito, propondo na Emancipação do homem como pessoa e Ser a saída para tal questão. 

É de extrema importância saber que um autor e intelectual de tamanha invergadura na sociedade, coadune com a questão de que o homem está suprassumo de qualquer sistema,  e do próprio  Direito, haja vista este ser fruto de sua própria criação. 

É elementar ser de conhecimento público que o direito só se justifica pela linguagem. Sendo assim, é fruto de construção humana, pois, por linguagem só é possível conceber em strictu sencu a dos homens. 

Logo, entendendo o Direito como criação do homem para reger as relações sociais, só é possível aceitar um elemento de sanção de sociedade se assim entendermos que ele deverá ser para promovera a Justiça e a Paz social. Mesmo nos antigos regimes por onde a Ciência do Direito passou - Absolutismo, Monarquia, Império e Estado Feudal, a concepção de Justiça era a que colocava todas as ações  deste  Direito como justificáveis e obedecidas. Falar da coerção como razão final de justificação é provar que a concepção Marxista contrária ao Direito dominante, está correta.

 È claro e natural que as concepções dos regimes políticos e culturais da sociedade mudam ao longo do tempo. Tenho certeza que o ideal de justiça do Império Romano não era o mesmo da democracia contemporânea, assim como o de paz atual não é o mesmo das Monarquias Absolutistas. Isto inclusive justifica o que venho propor:
O Direito é mutável e como tal só mudou por que a concepção da sociedade para com ele mudou também. 
Não é ele que intrínsecamente mudou, não é o Direito quem ditou as regras, quem definiu quais normas regem a sociedade ou não. Fora uma mudança no pensamento social que definiu que a norma anterior ou a inexistente, não eram adequadas a atual conjuntura. Fugir disso é inclusive deslegitimar o próprio Direito que sendo construído pela linguagem, só o é por conta da autorização da própria sociedade. 

Se este Direito, criado pela sociedade, que só é obedecido por que este signo que está no imaginário humano possui a presunção de justo e de que deve ser seguido, não buscar uma justiça concreta e real, mataremos o próprio direito que por não ser materializado, coisa, só existe quando a mente humana o reproduz e o legitima para se concretizar. 

Portanto, produzir uma teoria que aponte a saída para a crise de existência que passa o Direito, que hoje se justifica na injustiça da sociedade em detrimento de alguns e de si mesmo, que o transfigura em sua razão de existir, tirando o foco do homem e da sociedade que o criou e que é a única capaz de justificar sua existência.

È preciso reinventarmos o  Direito para ele se tornar mola propulsora da Emancipação Social do Homem, não mais para legitimar os poderosos e coagir os fracos, mas para promover a emancipação, desenvolvimento e dignidade do ser humano. É urgente a necessidade de reformular o modelo imposto para sua própria sobrevivência. Não fazer isto é assassinar a si próprio reflexivamente.

Não é concebível na era da efetivação dos direitos de Terceira e Quarta Gerações, ainda mantermos a concepção Kelseniana de coerção. O Direito sob nenhum aspecto pode conceber a coercibilidade como sanção ao que não o obedece. Principalmente em momento de crise. Na atualidade o Direito vive uma crise institucional. Suas normas, apesar de válidas, não possuem eficácia social. Infelizmente, mesmo nesta situação, ainda se aprende nos bancos de escolas jurídicas que esta por sua vez não tem importância jurídica.

Como é possível uma ciência que é criada pela linguagem da sociedade, não conseguir ser obedecida, partindo do pressuposto que ao longo de sua efetivação fora desenvolvido um pacto no imaginário humano de que o Direito é necessário para garantir as relações sociais com Justiça e Paz social no Estado Moderno e este é o único responsável para tal realização?

É possível quando sua materialidade é posta em cheque por não responder ao anseio que a própria sociedade tem dele. Manter a coerção como saída a esta ineficácia perante a polis é garantir o ampliamento do processo de  deslegitimação pelo qual passa o mundo jurídico e garantir o status quo dos grupos dominantes ou então caminhar para uma Revolução no Próprio Estado e sua concepção de Direito. 
Quanto mais se arrocha o homem, mais vontade de se ver livre ele terá.
No texto Uma discussão crítica: Kelsen, Mark e o Direito – Antônio Carlos Wolkmer,  pretende mostrar que o Direito não está distante das ciências sociais, que buscam exatamente compreender e apontar soluções para a crise de sociedade que vivemos. Não ver o Direito como ciência social, no mínimo é agir de ma fé, para com o coletivo. É afirmar que o sistema não é para todos e assim deve ser restrito a poucos, poderosos e “entendidos”, os iluminados da meritocracia que excluem todos os outros da divisão social do trabalho, negando o ideário de justiça grego e afirmando a retrógada concepção de Justiça iluminista representada por Kant e sua Meritocracia da razão; sobrando para o restante a coerção do Estado no caso de desobediência ao Direito.

Iniciar uma Teoria Crítica é mostrar que a coerção não pode ser critério de execução da sanção ao homem, se assim for,  jamais tornaremos o Direito Justo. Fazer isso numa sociedade com tamanhos descalabros seria piada. 

Assim, buscar uma reconciliação do Direito com as Ciências sociais é a única saída para entendermos e buscarmos a efetivação da emancipação social do homem, colocando o coletivo como centro de toda relação jurídica na efetivação da dignidade humana. 

É urgente percebermos que a crise institucional pelo qual o Estado e o Direito passa, se dá por conta da redoma de cristal que vive os operadores do sistema e da incapacidade de levar o direito a efetivação da justiça real de toda a coletividade humana por parte de tais operadores. 

Por fim, trago em voga que a emancipação social e a eficácia do Direito no imaginário coletivo, só se dará quando levarmos o Estado a implantar a Justiça concebida e defendida na Teoria Geral do Direito ao cotidiano da sociedade, tirando a palavra Dignidade Humana de uma vez por todas do verbete e materializando sua concepção assim como fizemos com o Direito, signo criado pelo homem. 

Pedro Andrade

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Programação I Festival de Música e Arte Univeristária - UFES


PROGRAMAÇÃO
+ A Prostituta - 20h
- Monólogo crítico de combate a opressão feminina. 
+ Sarau e Poesias - 20 às 21h
- Na escadaria do Restaurante Universitário
+ Banda Amanhã Isso Acaba - 21h
- Palco principal
+Grupo de dança de rua «Vila Velha Break» - 22h
- Palco Principal
+Banda Mango - 22.30h
+CineCurtas - 23h
- Na escadaria do Restaurante Universitário
+Banda Sourbelle - 23.30h
- Palco Principal
+WorkShop
- Movimento Fora do Eixo e  a implantação da cultura alternativa na
Universidade.
+Banda Mendigos Cientistas - 01h
- Palco Principal
+Banda Jet Fire - 02h
- Palco Principal

Sábado - 27/11

+ A Prostituta - 20h
- Monólogo crítico de combate a opressão feminina. 
+ Sarau e Poesias - 20 às 21h
- Na escadaria do Restaurante Universitário
+ The Flow Orquestra - 21h
- Palco principal
+Grupo de dança de rua «Vila Velha Break» - 22h
- Palco Principal
+ Banda James - 22.30h
+CineCurtas - 23h
- Na escadaria do Restaurante Universitário
+Banda Anti-Milk - 23.30h
- Palco Principal
+WorkShop
- Movimento Fora do Eixo e  a implantação da cultura alternativa na
Universidade.
+Banda Cerva Grátis - 01h
- Integrante do Coletivo Mundo de Festival Nacional/ PB
- Palco Principal
+Banda Budapeste - 02h
- Palco Principal


Aguardo a todos...

Pedro Teixeira









sábado, 20 de novembro de 2010

I FESTIVAL DE MUSICA E ARTE UNIVERSITÁRIA DO MOVIMENTO MUDANÇA-ES E DAS ENTIDADES DE BASE DA UFES



“Rompendo paradigmas para uma nova cultura na Universidade.” 

Sob este tema se realizará o primeiro Festival de Arte e Música Universitária das Entidades de Base da UFES e do Movimento Mudança. – FEMU.

O evento terá o contato com a Música, a Arte, o Cinema e a Cultura Alternativa, vista pelo olhar dos universitários e do movimento popular para a construção de um novo modelo de Arte para a Universidade e a Cidade de Vitória.

No Festival haverá dois ambientes: Um espaço musical com a apresentação de bandas da Universidade e do Movimento popular de música brasileira e outro, na área verde perto do público com apresentações de teatro, dança, sarais, exposições de arte e curtas cinematográficos.

Um momento crítico para pensar o que queremos para a cultura da Cidade de Vitória e para o Espírito Santo.

O evento se realizará nos dias 26 e 27 de Novembro a partir das 20h na área verde em frente ao Restaurante Universitário, será gratuito e as inscrições para as bandas e apresentações culturais se darão até o dia 23 de novembro no e-mail: Pedroteixeira@mudanca.org.br

Realização Movimento Mudança
Apoio: CAFIL, Cultura CARLF, DAFF, DADF

Aguardo todos vocês lá...

 Pedro Teixeira

domingo, 7 de novembro de 2010

Justificativas

gostaria de me justificar com os amigos e leitores de que não estou escrevendo principalmente pelo motivo de o meu teclado ter quebrado. Estou com aqueles emborrachados retorcíveis que são simplismente detestáveis pra escrever...
Resolverei esse problema em breve. Aliás, alguém quer me dar um teclado decente?

P.S: Se uma amiga deixar, postarei um texto bem legal sobre cidadania e democracia em breve...

aguardem.

@Pequenainfante

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Divirtam-se

Congresso em comemoração aos 80 anos do curso de Direito da UFES


SEMANA JURÍDICA

EM COMEMORAÇÃO AOS 80 ANOS DO CURSO DE DIREITO DA UFES.

ABERTURA (9/11/2010 – Terça-Feira - MANHÃ – 7:30h)

domingo, 3 de outubro de 2010

Passando...

Um sopro,
     vento...
Um beijo
doce.

Um amor,
     O seu...
Um conto
      Oi?


Um instante,
      Teu olhar...
Um momento:
Saudade.

                           Um conto: O meu.

Pedro Teixeira**

**Nova assinatura