domingo, 3 de outubro de 2010

A mais agressiva campanha da história

Com a caminhada liderada pelo presidente Lula...
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Dilma, Marisa, Lula e Mercadante em SBC

Com a caminhada liderada pelo presidente Lula na manhã de hoje no ABCD paulista (São Bernardo do Campo), acompanhado por Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante, a campanha eleitoral deste ano, uma das mais radicalizadas e agressivas desde 1989, termina logo mais às 22 horas, como começou.

A maioria do povo brasileiro quer a continuidade das mudanças e apoia o presidente Lula e seu governo. O PT é o maior partido do país e conta com a preferência de mais de 1/3 dos brasileiros. Assim, nossa tarefa nos próximos anos será transformar esta preferência em votos.

A campanha foi uma das mais radicalizadas e agressivas desde a volta das eleições diretas de presidente da República em 1989. E a responsabilidade por isso é do PSDB e de seu candiato a presidente José Serra, com uma grande cota de contribuição da imprensa.

Grande parte da imprensa - da mídia, incluindo rádio e TV - mais do que tomou partido a favor do candidato tucano. Atuou como extensão de seu comitê eleitoral. Algumas redações agiram articuladas com a coordenação de campanha de José Serra, municiando a candidatura tucana com denúncias e calúnias, quando não se antecipando.

A campanha de José Serra foi uma das mais sujas e de baixo nível da história do país. Foi um vale tudo. Baixaria reforçada por esta parte da mídia que pactuou com a estratégia tucana. Ela chegou a veicular na internet vídeos absurdos produzidos pela campanha tucana e que a justiça eleitoral preferiu fazer de conta que não tinha autoria provada. E todos sabiam - até por não haver contestação tucana -  que estas produções eram da campanha serrista.

A mensagem de Dilma

“Amanhã, dia 3 de outubro, é o grande dia da democracia. Quero dizer ao eleitor que saiba escolher, que escolha aqueles candidatos que colaboram para a mudança no país. No meu caso, peço que ele perceba que o voto tem esse sentido, e que ao colocar o voto na urna ele decida se quer continuar a mudança desse país, se ele quer continuar na trajetória que leva Brasil e ser uma das maiores sociedades do mundo, uma das mais justas e democráticas. Ou, se ele quer aquele período de estagnação, paralisia, de desemprego que o Brasil passou”.

A mensagem acima foi transmitida hoje por Dilma, em entrevista coletiva, antes de seguir ao lado do presidente Lula e do candidato a governador Aloizio Mercadante em caravana pelas ruas de São Bernardo do Campo.
Blog do Zé Dirceu

Publicado em 02 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

A importância da Juventude como protagonista na mudança da política Brasileira


*Pedro Andrade


No próximo mês, no dia 03 de outubro, acontecerá a eleição que irá escolher o Presidente da República Brasileira, os Deputados Federais, os Senadores e os Governadores Estaduais e Distrital, bem como os Deputados Estaduais e Distritais.

Será também a Eleição que marcará o ápice do crescimento juvenil na população brasileira que irá durar até 2014 quando irá decair. Dessa forma, está eleição é um momento impar para a juventude do país. Nunca mais vamos ter tantos jovens de 15 a 25 anos em nossa população.

Portanto, temos nessa eleição o poder de influir nos rumos do processo eleitoral e na concepção do tipo de política que queremos para o Brasil do futuro.
Os políticos já sabem deste fato. Tanto é que as campanhas para a Presidência da República já estão conectadas nas mídias sociais e na Web 2.0. Marina Silva quer despontar como a “queridinha” do público juvenil e Dilma Rousseff tem a maior e melhor campanha de interação via web entre os presidenciáveis.

Isso tudo é bom, demonstra que os que estão disputando o poder estatal já perceberam que a juventude brasileira terá um peso importante na escolha dos futuros administradores e legisladores do País. Mas eis a questão: O jovem Brasileiro já se ligou para a importância do seu voto? Ele consegue perceber que a cada dia que a eleição se aproxima ele está sendo cada vez mais cooptado para tomar partido de um candidato? E principalmente, ele já se deu conta que é a sua escolha e forma de pensar a política hoje que vai decidir qual será a política para o Brasil amanhã?

Imagino que não. Os 40 milhões de jovens na faixa de 16 a 24 anos que irão votar neste ano, estão cada vez mais encarando o ato de votar como uma obrigação do que um dever. Além disso, muitos assumem posições radicais: 
Ou desacreditam da política e tudo que é político é ruim, corrupto e personalista, ou acreditam demais na política e o primeiro carismático ou com cara de via juvenil que aparece, consegue arrebanhar o jovem despolitizado e que quer mudanças para engrossar o caldo dos seus eleitores.

Não podemos encarar a política desta forma. Temos que nos identificar enquanto jovens e atores juvenis na mudança dos rumos de nosso País. É preciso buscar vias de participação nos movimentos sociais e no meio Estatal, apoiando e buscando candidaturas que apóiem as políticas públicas de juventude e que sejam juventude (sic). É na ampliação dos jovens nos movimentos que pressionam o governo; movimento negro, estudantil, da mulher, pela moradia, quilambola, etc., etc, que conseguiremos ruir este sistema obsoleto e esta classe política velha, retrógada e oligárquica para fora dos aparelhos do Estado. O velho só sai se o novo entrar.
A Corrupção só acaba se pessoas impolutas varrerem essa doença do País, Se a classe que hoje é juvenil e que amanhã será a política do Brasil, se dar conta de que não podemos mais aceitar a política do favorecimento, do apadrinhamento, do aparelhamento e do populismo em nosso Estado Democrático de Direito. Se der conta de que será ela que terá a função de norteadora dos anseios e crescimento da nação brasileira. Hoje já é sabido que precisamos de mão de obra para a economia em pleno crescimento e quem será ela? Nós jovens, é claro. Por isso, nestas eleições, vejam as propostas e o histórico do seu candidato. Eu apoio  e voto Dilma 13 porque ela tem políticas pra juventude e pro futuro do País, mulher séria, garantirá as mudanças sociais e a emancipação juvenil E voto em Babá 13131 para Deputado Estadual porque atuou na Pastoral da Juventude, no Movimento Estudantil, Foi um líder comunitário Jovem, É jovem, Defende a Universidade Estadual Capixaba, o Criação de Escolas técnicas Estaduais, o Financiamento ao Ensino, Pesquisa e Extensão e as criação das Praças esportivas com 8 mil metros quadrados de esporte, cultura e lazer; projeto do ministério do Esporte, que ele buscará e trará para o Espírito Santo.

Vote consciente no dia 03 de Outubro, vote em quem está preocupado com o seu futuro!

*Pedro Andrade é aluno de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo, graduado em planejamento urbano e de transportes pelo Instituto Federal do Espírito Santo e atua como Coordenador do Cursinho popular Mudança no Estado, além de ser Diretor de Cultura do Centro Acadêmico de Direito da UFES.



Você, seu intelecto e sua alma... Nada além.

Começo a perceber que no final só sobram três seres: Você, seu intelecto e sua alma.
Nada mais perpassa para garantir a unidade e a complexidade de uma rede ampla em que se possa abraçar fraternalmente e dizer: Não estou sozinho!

Não pelo contrário, as garantias se dão em torno de um sentimento e provas factuais de cada vez mais você não ver ninguém e não mensurar nada em meio à solidão.
Percebe-se que cada dia é um dia a menos e ao mesmo tempo é outro a mais. Ao se dar conta, caminhamos para a beira da insanidade e da ignómia.

Tudo isso se dá pelo triste desprazer de no final das contas só sobrar você, seu intelecto e sua alma... O resto, no desenrolar epistemológico-filosófico-teológico da coisa é a desmembração destes três “seres”.

Vejam só: Para os adeptos do antropocentrismo - ateus, materialistas e individualistas, no final das contas só você é o responsável pelo seu passado, presente, futuro e morte. Para os intelectuais - agnósticos, neo-iluminista, cartesianos, kantianos, esclarecidos, a transcendência é imanente e perpassa pela sua mente, sendo assim considerado você intimamente ligado com a sua construção divina, ainda que essa não seja uma abstração humana. Já para os passionais, religiosos, aristotélicos, cristãos ou qualquer outro desdobramento em que se liga a pessoa a alma, o homem material no final das contas se mantém preso a sua alma ou vice-versa, que é sua companheira; inicialmente no plano físico e posteriormente no campo espiritual e eterno.

Ao passo que no fim da linha terrena (e durante seu traçado) nada mais somos do que nós mesmos, ou seja, ainda que estejamos rodeados de seres, na verdade estamos sós. Para os anti-individualistas, subjetivistas e cristãos, minha tese será mesquinha e incomodará pois parecerá que estou querendo afastar os homens de sua capacidade natural de se relacionar, quando na verdade o que quero provar é que por mais que o homem se relacione, na verdade isso se dará para alimentar a própria vontade de não estar sozinho, quando na verdade isso é impossível, pelo menos em seu ser imanente.
Para ser diferente, seria necessário que os seres humanos fossem dotados de poderes ou percepções que dessem a cada um a capacidade de se relacionar com o intelecto e/ou a alma do outro, o que até hoje a ciência e as percepções sociais mostraram não ser possível.

É triste para mim, nesta reflexão epistemológica que estou tendo neste feriado, perceber que na verdade, estou sozinho. Passo um mês em que me Abandonaram e jogaram-me ao relento. Mês vazio, insípido, incolor e transudo: pútrido e sofistico. 


Pedro Andrade

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Momentos...


Bem, momentos são momentos, lógico. Não venho aqui hoje para explicar o que seria o momento. Não tenho a pretensão de gastar meu vernáculo com o intuito epistémico cognitivo de saber o que é o momento. Deixo esta indagação para o filósofo. O que trago em voga é o engano que o momento nos traz. Já não houve momentos de certezas tão certas que estas acabaram incertas? Já não houveram momentos tão felizes que de felizes se tornaram tristes? E já não houveram momentos infinitos que por tamanha infinitude tiveram fim?  Não estou louco não me internaram, ainda. Isso ocorre e como ocorre! Não seria absurdo pensar o momento e suas contradições e hoje ao me deparar por um momento para discutir o que é momento percebo quão errado estamos neste momento. Não que não exista a possibilidade de explicitá-lo. O ponto chave aqui é o engano do momento. Como você se torna confuso ao na verdade já não ter a certeza do momento atrás. De viver aquela felicidade passageira, aquela certeza incerta que como num feixe de luz se dissipa  após já ter invadido seu coração e o arrasando e tornando tudo tão incerto.

Momentos - tê-lo, não tê-lo, qual seria a solução?

Por desconhecer tal resposta neste momento, deixo aos amigos leitores este poema que gosto muito de Fernando Pessoa:
Foi um momento.

Foi um momento/ O em que pousaste/ Sobre o meu braço,/ Num movimento/ Mais de cansaço/ Que pensamento,/ A tua mão/ E a retiraste./ Senti ou não ?

Não sei. Mas lembro/ E sinto ainda/ Qualquer memória/ Fixa e corpórea/ Onde pousaste/ A mão que teve/ Qualquer sentido/ Incompreendido./ Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,/ Mas numa estrada/ Como é a vida/ Há muita coisa Incompreendida...

Sei eu se quando/ A tua mão/ Senti pousando/ Sobre o meu braço,/ E um pouco, um pouco,/ No coração,/ Não houve um ritmo/ Novo no espaço?/ Como se tu,/ Sem o querer,/ Em mim tocasses/ Para dizer/ Qualquer mistério,/ Súbito e etéreo,/ Que nem soubesses/ Que tinha ser.

Assim a brisa / Nos ramos diz/ Sem o saber/ Uma imprecisa/ Coisa feliz.

Pedro Andrade


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Por nada ver, nada ouvir, nada sentir e até esquecer...

Me recusei virar o mês e nada postar. Devo pedir desculpas. Estávamos em processo eleitoral para o DCE e não achei tempo para me dedicar a críticas exclusivistas e pessoais. Era um momento de construção coletiva e minha cabeça estava sem tempo para falar de qualquer coisa a não ser o processo eleitoral. Hoje, continuo não muito afim de dizer algo na verdade mas, não quis acreditar que nada postaria nestes 30 dias. Recorro a  minha ignorância para assim tentar escamotear a preguiça para postar mas nada escrever. Ah, como conhecimento inútil recomendo a todos o livro de Chico Buarque - Leite Derramado que ganhei de uma doce menina que me ensinou a ver as coisas de uma outra forma, melhor...  para assim tentar escrever diferente também, por que não?

No mais, recomendo o blog de um grande amigo que com sua forma sarcástica de não dizer nada, traz em voga uma leitura gostosa e atrativa: www.criativonao.blogspot.com

Pedro Andrade

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Quadro Preocupante da Juventude Brasileira e Capixaba:

Entre 1994 e 2004, segundo pesquisa realizada pela OEI – Organização dos Estados Ibero-Americanos em apoio com o Ministério da Saúde, os homicídios na população jovem saltaram de 11.330 para 18.599, com aumento decenal de 64,2%, crescimento bem superior ao da população total: 48,4%. Nota-se, em primeiro lugar, que as taxas juvenis são bem mais elevadas que as taxas da população em geral e, em segundo lugar, que seu crescimento na década considerada foi bem superior.
Assim, percebe-se que no Brasil as taxas no terreno dos homicídios de jovens são dramáticas. Os índices de homicídio juvenil são proporcionalmente 100 vezes superiores aos de países como Áustria, Japão, Egito ou Luxemburgo. Outro fato importante é que em alguns Estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Pernambuco, os homicídios são responsáveis por mais da metade do total de mortes de jovens. Além disso, os avanços da violência homicida das últimas décadas no Brasil são explicados exclusivamente pelo aumento dos homicídios contra a juventude. Se as taxas de homicídio entre os jovens pularam de 30,0 em 1980 para 51,7 (em 100.000 jovens) em 2004, as taxas para o restante da população até caíram levemente, passando de 21,3 para 20,8 (em 100.000 habitantes). Como agravante, temos ainda nas taxas de homicídios entre jovens, 83,1% a mais de vítimas negras do que de vítimas brancas, 96,7% das vítimas de homicídio entre os jovens são homens e nos finais de semana os homicídios juvenis aumentam 80% com relação aos dias da semana.
Trazendo a pesquisa para o Espírito Santo, a situação não é nada animadora. De todos os Estados da Federação, o Espírito Santo está incluído nos 10% dos que mais matam no Brasil. Além disso, dos 78 municípios do Estado, 14 deles (cerca de 20% do total), matam entre 48,0 a 223,3 jovens a cada 100.000 habitantes. Sendo este, o índice máximo da pesquisa. Quando a pesquisa é por cidades, a situação fica ainda pior. O Espírito Santo possui três cidades no ranking das 10 que mais matam. Estas são: Serra (2º lugar), Vitória (7º lugar) e Cariacica (10º lugar).
Como então elencar os reais motivos para esse desatino homicida que irrompe na sociedade brasileira? Como desenvolver políticas públicas para este setor que tanto carece de apoio do Estado? Qual o papel do estado na diminuição destes dados e no desenvolvimento desta população que segundo o IPEA, se projeta na casa dos 51,3 milhões em 2010?
Perguntas importantes que precisamos responder se quisermos inserir a juventude na sociedade e se dela formos esperar o avanço do País. Nesta temática, a juventude ainda aparece como associada a dimensões e problemas típicos do relacionamento entre o universo juvenil e a sociedade mais ampla: as questões do mundo do trabalho; os padrões de desigualdade e de discriminação vigentes; as situações de fragilização social, pobreza, indigência e desamparo familiar; as estruturas de geração e distribuição de oportunidades; as expectativas quanto ao desempenho de determinados papéis sociais; e as práticas de consumo– enfim, as diversas dimensões que caracterizam a dinâmica social brasileira, em seus avanços e conflitos.
Por isso é preciso primeiro mudar a concepção de juventude que pesquisamos. Neste sentido, é possível afirmar que as políticas públicas federais carecem de um marco referencial mais coeso acerca do conceito de juventude. Sintomático disto é o fato de programas direcionados ao público juvenil operarem com faixas etárias diferentes. Igualmente reveladora é a adoção, por algumas áreas, das concepções mais recentes sobre a juventude – que respeitam a noção do jovem como sujeito de direitos e que atentam para as especificidades desta fase da vida e dos grupos que a experimentam –, enquanto em outras prevalece a compreensão tutorial e controladora que caracteriza as ações mais tradicionais e institucionalmente estruturadas. E todas lidam com o mesmo jovem, que se vê submetido a formas muito distintas de tratamento. Em segundo lugar – e em decorrência da questão anterior –, pode-se asseverar que inexiste um entendimento comum a respeito das dimensões mais cruciais da temática juvenil sobre as quais deve atuar o poder público. No geral, a lógica da atuação segue extremamente setorializada: cada órgão busca tratar, de acordo com seus marcos teóricos e seu instrumental de ação, das questões que consegue identificar. Ainda resta por ser construída uma estratégia multissetorial de atuação que articule horizontalmente as iniciativas de órgãos diversos com um propósito comum, ampliando as possibilidades de êxito em seus empreendimentos.
Finalmente, é preciso considerar que, para além de forjar um entendimento compartilhado sobre o que é a juventude e quais os desafios prementes para o país com relação a seus jovens, é necessário também construir um novo repertório de ações e instrumentos para levar a cabo uma política de promoção dos direitos da juventude efetivamente conectada com seu tempo. É imperioso avançar no sentido de oferecer oportunidades concretas de experimentação e inserção social à juventude, atrativas e significativas no contexto atual, favorecendo efetivamente a construção de sua identidade e sua integração nas várias esferas da vida do país.

Pedro Andrade


A juventude como sujeito de direitos

Antes de invocarmos a juventude como sujeito de direitos e assim conseguirmos trazer em voga questões pertinentes ao desenvolvimento de Políticas Públicas de Juventude (PPJs), é preciso resgatar a historicidade da questão.  
Em nosso país, assim como na maioria dos países da América Latina, os sistemas de proteção social – gestados no decorrer dos processos de industrialização – repousavam na capacidade contributiva dos assalariados, vinculados ao mercado formal de trabalho. Neste contexto, quando os jovens das classes populares se inseriam no mercado formal de trabalho, contavam com o sistema de solidariedade da Previdência Social, por meio do qual se selava uma espécie de pacto entre as gerações – trabalhadores ativos contribuindo para inativos. Paralelamente, o investimento em educação foi uma resposta que os estados ofereceram – com mais ou menos sucesso – para incorporação de novas gerações. A preocupação com os jovens – que não precisavam entrar precocemente no mundo do trabalho – circunscrevia-se à educação: tratava-se de desenvolver as aptidões exigidas pelo processo de qualificação da força de trabalho.
Dessa forma, configuravam-se aí duas juventudes: aquela a quem se prepara para a vida adulta por meio da educação e outra que, como parte da classe trabalhadora, sequer era vista como jovem. Já entre os anos de 1980 e 1990, enfraqueceram-se os mecanismos corporativistas fundamentados na solidariedade trabalhista e fortaleceram-se critérios relacionados à competição no mercado e à individualização dos riscos. Neste período, Entre as idéias para sair da crise, via de regra gestadas em organismos oficiais e agências de cooperação internacional, reservou-se um papel à população juvenil como agente para o desenvolvimento. Naquele momento prevaleceu o enfoque dos jovens como capital humano. O que na prática, significava responder ao desemprego de jovens por meio de projetos de capacitação ocupacional e inserção produtiva com ênfase no chamado empreendedorismo juvenil. Com este objetivo, surgiram vários programas e projetos sociais executados em parceria entre governos e organizações do terceiro setor, na grande maioria dos casos apoiados por organismos internacionais. Ao mesmo tempo, buscava-se enfrentar a violência por meio da idéia de prevenção de delitos. Para os jovens considerados em situação de risco, foram reservados projetos específicos para conter a violência e para garantir sua ressocialização. As atividades culturais, neste contexto, foram vistas como uma importante via de contenção da violência juvenil. Por outro lado, para enfrentar a pobreza da sociedade, o remédio parecia estar nas chamadas políticas focalizadas. Para alívio imediato da pobreza, as políticas passaram a focalizar especificamente as crianças e suas famílias.
Desta maneira, no fim do século XX, reinserção escolar e capacitação para trabalho eram vistos como antídotos à violência e à fragmentação social, e não como direitos dos jovens.
Hoje, no início do século XXI, é a partir da conjugação de fatores globais e locais que se constitui a questão juvenil deste milênio. Desigualdades e inseguranças atingem particularmente os jovens desta geração, gerando problemas, necessidades e demandas.
Resta saber a quem cabe vocalizar e responde-las. 
Nesse contexto, os chamados grupos culturais de jovens urbanos têm encontrado formas inovadoras para incidir no espaço público. Por meio de ritmos, gestos, rituais e palavras, estes grupos culturais instituem sentidos, negociam significados e combatem a segregação e o preconceito. Por intermédio de seus textos literários, de suas letras de rap, de suas apresentações de teatro e dança e de suas programações radiofônicas ou atividades esportivas, contribuem para a ampliação do espaço público. Contando com recursos da internet para se articular e criar redes, inventam e reinventam estilos que se tornaram formas de expressão e comunicação entre jovens. Buscam visibilidade pública, funcionam como articuladores de identidades e tornam-se referência na elaboração de projetos individuais e coletivos, sobretudo em áreas pobres e violentas.
Em resumo, em contextos de demandas e disputas por PPJs, os jovens do movimento estudantil – sem ter mais o monopólio da representação juvenil – e os jovens sindicalistas e de partidos políticos – mesmo com pouca representação numérica – têm sido desafiados a conviver e se articular com grupos culturais, religiosos, esportivos, ambientalistas, de direitos humanos, de voluntariado, assim como com jovens envolvidos em ações de pequena escala, de horizonte temporal reduzido. Portanto hoje, estamos vivendo um processo de mão dupla – com influências mútuas de cima para baixo e de baixo para cima –, no qual diferentes atores políticos governamentais e da sociedade civil tomaram para si a iniciativa de anunciar publicamente a diversidade juvenil, a existência de problemas comuns atuais da juventude e de propor diversificadas soluções em termos de PPJs. A despeito da heterogeneidade destes atores, e para além da necessidade de reconhecimento da diversidade, o denominador comum é o direcionamento de demandas para os poderes públicos, para o Estado. É este direcionamento que amplia a agenda – e os embates – no espaço público e favorece a generalização do uso da expressão jovens como sujeitos de direitos.
Assim, a expressão jovens como sujeitos de direitos está ancorada na compreensão da indivisibilidade dos direitos individuais e coletivos e expressa o grande desafio das democracias contemporâneas para articular igualdade e diversidade. Não obstante, quando se fala em PPJs, é preciso considerar que os problemas e as demandas relacionam-se tanto com questões (re)distributivas mais gerais da sociedade excludente quanto com questões de reconhecimento e valorização de sua diversidade e, ainda, evocam a dimensão participativa, de grande importância na fase da vida em que se passa da infância para a vida adulta e se busca emancipação. Com tais características, as políticas públicas que afetam (ou deveriam afetar) a vida (e os direitos) de diferentes segmentos juvenis estão sob a responsabilidade de diferentes ministérios, secretarias e outros organismos governamentais. Assim sendo, está posto o desafio de fazer que os mandatários e técnicos dos diferentes ministérios compartilhem concepções semelhantes sobre a atual condição juvenil e se orientem por um mesmo objetivo para formular e implantar políticas voltadas para este segmento etário.
Em síntese, se quisermos responder as demandas da juventude deste século, é preciso criarmos metas para articular, coordenar ou executar programas e ações dirigidos à juventude, de maneira horizontal e transversalizada. Portanto, é salutar termos nos espaços estatais, estruturas especializadas para a gestão desta parte da sociedade – a juventude. 
No Brasil, levando-se em conta o fato de as PPJs, em nível de governo federal, possuírem dimensões diferenciadas – universais, atrativas e exclusivas –, optou-se pela localização do órgão de juventude na Presidência da República, e não em um ministério setorial. Esta foi uma estratégia para melhor promover a integração e a transversalidade das políticas, dos programas e das ações. Assim, no espaço da Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), em 2005, o governo brasileiro criou a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), o Conselho Nacional de Juventude e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens – o ProJovem original, realizado em gestão compartilhada entre os Ministérios da Educação (MEC), do Trabalho e Emprego (MTE) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), sob a coordenação da SNJ/SGP. 
No Espírito Santo infelizmente, não foi tomado qualquer tipo de atitude parecida para responder aos anseios deste novo paradigma que a juventude impõe ao Estado. Todas as PPJ’s desenvolvidas se deram em meio à burocratização e ao descompasso na articulação das várias secretárias que tentaram executar projetos que de longe não foram conjuntos. É preciso, portanto, reformularmos as políticas de governo se quisermos atingir de fato a juventude capixaba que como mostram dados expostos, é uma das que mais são esquecidas pelo poder público dentre os Estados da Federação.
Daí a importância de se criar uma Secretaria Estadual para este segmento, que vise planejar, listar e executar as demandas e políticas para a parcela da sociedade de 15 a 29 anos que são sujeitos de direitos individuais únicos e irrevogáveis e são conhecidos como JUVENTUDE.
Fonte: IPEA e Secretaria de Assuntos Estratégicos da
Presidência da República 


Pedro Andrade